A BANCADA ILEGAL


Quando a direcção do Sporting Clube de Espinho do ano de 1987 decidiu construir uma bancada no Campo da Avenida em cima da Avenida 8, contava com a participação monetária integral de Manuel Violas, patrão da Solverde, ao tempo contra a construção do Estádio Municipal e com a conivência do executivo autárquico de então. Pensava o Violas que valorizando o Campo da Avenida esvaziava a pressão para a construção do estádio. Pensavam os divertidos directores do Clube que sacando os milhares de contos ao Violas para a bancada tinham estádio para 20 anos seguintes. Pensavam os espinhenses mais atentos que o concelho saía prejudicado.

Perante o atentado em perspectiva revoltaram-se alguns espinhenses. Não contra o Clube mas contra os seus dirigentes da época. Não pela valorização do modesto recinto mas contra a descarada e atrevida ilegalidade que seria cometida para satisfazer, tão só, a vontade, retorcida, dum pretenso benemérito. Só que a legítima , e franca, oposição ao descarado atropelo à cidade teve, por parte daqueles divertidos dirigentes, uma reacção digna do mais refinado tratado da manipulação de massas: inflamar os associados mais ferrenhos do clube numa Assembleia Geral a realizar no salão paroquial, onde havia espaço para muita gente.

Usando ali uma oratória agressiva, e ofensiva, contra quem ousou afrontar a pretensa valorização do campo da Avenida, alguns directores vomitaram bacoradas indignas para exarcebar os ânimos da turba doentia, visando deixar claro que era contra o Clube que a campanha contra a bancada se dirigia.

Os dirigentes iniciaram a construção da bancada e os espinhense que eram contra iniciaram a batalha judicial contra a prepotência.

Hoje, dez anos depois, a Justiça deu razão aos que se opuseram ao abuso feito a coberto dum futebol que tudo justificava e contra o qual pouco havia quem se opusesse. Hoje o futebol português está em crise por falta de dignidade de muitos velhacos que cometem os mais abjectos atroapelos contra a pureza da sua essência desportiva.

A barrela está em curso a nível nacional e parece que a limpeza final acabará por fazer entrar pelo cano de esgoto a escória dirigente que pegou de estaca para subverter o desporto rei.

Espinho Vareiro, 17 janeiro 1997.