Membros do Clube do Ambiente da Escola Secundária do Dr. Manuel Gomes de Almeida levaram a cabo mais uma observação costeira na manhã do passado Sábado, 25 de Janeiro. Os alunos e professores participantes na observação consideraram digno de registo o seguinte:
1. Há pluviais que continuam a ser indevidamente utilizados para fins que ultrapassam o previsto: escoar a água das chuvas. O pluvial da Rua 33 continua a correr com água porca e mal cheirosa, sinal de que há algures ligação ou ligações ilegais e/ou clandestinas de esgotos. Para além disso, a dinâmica das areias persiste em assorear a saída deste pluviar, apesar das operações de abertura de um canal para o mar. O pluvial do Largo de S. Pedro parece também estar a ser vítima de abusos. Como se explica a existência de uma enorme mancha escura junto à sua saída? Tudo leva a crer que essa mancha contém hidrocarbonetos eventualmente provenientes do lançamento indevido de óleo queimado na rede pluvial algures a montante.
2. Continua a haver lixo nas praias, especialmente na zona supratidal, enquanto que a intertidal estava limpa por acção das marés. O lixo abunda especialmente a sul da ex-fábrica Brandão Gomes (plásticos, pneus), na Ribeira de Silvalde (caixas de esferovite), junto ao ringue (materiais de construção, tijolos, telhas, cimento, canalizações, camas de ferro, roupa) e junto das cabanas dos Ciganos (muito lixo doméstico), onde se notou, isolado, apenas um contentor de lixo.
3. Há zonas devassadas por trânsito automóvel, nomeadamente de jipes e motas. Foram observadas muitas marcas de rodados em toda a zona do frágil cordão dunar entre a Ermida de S. João e a Lagoa de Paramos. É lamentável que se continue a permitir este estado de coisas e se adie a tomada de medidas, - que até são rápidas e baratas, para impedir o acesso indiscriminado destes falsos exploradores da Natureza. As Praias da Seca, Azul e da Baía não estão livres desta praga de jipes e de motas que entram à vontade a norte do «Folhetas Astória» e pelas rampas de acesso junto à Pisina Solário Atlântico e outras a sul. Tem sido frequente a observação de motas e de triciclos motorizados de quatro rodas a passear-se impunemente nestas praias.
4. Prosseguem as obras de defesa da costa no paredão junto da carreira do tiro, e, nos estaleiros junto da «Brandão Gomes» e do «Folhetas Astória», preparam-se tetrápodes para reforçar e reconstruir os esporões da Rua 19 e da Brandão Gomes. Sinais de terraplanagem foram observados a sul do reduzido cordão dunar da ETAR, mas o seu objectivo é insondável.
5. Quanto às ribeiras, a de Silvalde e a de Sabuão (junto do aeródromo) continuam, lamentavelmente, a correr com todo o tipo de poluentes imagináveis. Tardam as medidas municipais e intermunicipais para a resolução do problema. A qualidade da água da Ribeira do Mocho parece ter melhorado. Que o digam os proprietários de carrinhas frigoríficas de transporte de peixe que semanalmente as lavam com as suas águas na pacatez das traseiras do cemitério junto ao Parque de Campismo e por baixo da Rua 20.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 31 janeiro 1997.
