Metade dos dias do mandato estão cumpridos
E os espinhenses continuam cada dia mais cozidos.
O chavão dióspiro «viver melhor em Espinho»
Era mesmo paleio para caçar o votinho...
Ou senão veja-se: Falta muita habitação,
Água e saneamento nas freguesias é pura ilusão
Para os anos mais próximos. Mas há muito mais:
No próximo Verão continuarão os coleiformes fecais
A navegar nas salsas àguas do nosso mar
Pondo em perigo a saúde de quem nelas se banhar.
A Reserva da Lagoa de Paramos é ignorada
Pelos autarcas. Outra grande e velha borrada
É o estado miserável das estradas e passeios
Há anos badalados como os justos anseios
De milhares de condutores e de muitos caminhantes,
Os projectos da zona de jogo vão parar
Um ano à prateleira antes de começar,
Porque o feio buracão que existe nó orçamento
Não permitirá fazer neles qualquer investimento.
E daqui p'ra frente o que acontecerá?
O fundo do buraco com certeza aumentará
E quer vendam parte ou todo o património,
Ou mesmo a fraca alma ao demónio,
Nada impedirá a queda acelarada no abismo
Das finanças com tão doentio raquitismo.
Os louros desta desgraça serão então colhidos,
Pela comandita carreirista dos partidos
Que esbarrou em processos de alquimia
Do Dormideira, Gugu & Companhia.
Poeta Acácio, A Vassoura. Espinho Vareiro 10 janeiro 1992.