MEIA DESGRAÇA

Janeiro de 2007: Há meses que foram realojadas as famílias dos Ciganos que viviam em barracas aqui, a sul da Ribeira de Silvalde. As barracas foram demolidas mas o entulho jaz aqui desde então. Até quando? perguntava um blogue local

Metade dos dias do mandato estão cumpridos

E os espinhenses continuam cada dia mais cozidos.

O chavão dióspiro «viver melhor em Espinho»

Era mesmo paleio para caçar o votinho...

Ou senão veja-se: Falta muita habitação,

Água e saneamento nas freguesias é pura ilusão

Para os anos mais próximos. Mas há muito mais:

No próximo Verão continuarão os coleiformes fecais

A navegar nas salsas àguas do nosso mar

Pondo em perigo a saúde de quem nelas se banhar.

A Reserva da Lagoa de Paramos é ignorada

Pelos autarcas. Outra grande e velha borrada

É o estado miserável das estradas e passeios

Há anos badalados como os justos anseios

De milhares de condutores e de muitos caminhantes,

Os projectos da zona de jogo vão parar

Um ano à prateleira antes de começar,

Porque o feio buracão que existe nó orçamento

Não permitirá fazer neles qualquer investimento.

E daqui p'ra frente o que acontecerá?

O fundo do buraco com certeza aumentará

E quer vendam parte ou todo o património,

Ou mesmo a fraca alma ao demónio,

Nada impedirá a queda acelarada no abismo

Das finanças com tão doentio raquitismo.

Os louros desta desgraça serão então colhidos,

Pela comandita carreirista dos partidos

Que esbarrou em processos de alquimia

Do Dormideira, Gugu & Companhia.

Poeta Acácio, A Vassoura. Espinho Vareiro 10 janeiro 1992.