MENSAGEM DE ANO NOVO

MENSAGEM DE ANO NOVO AO PODER POLÍTICO DE ESPINHO
Octávio Lima, Espinho Vareiro 3 de janeiro de 1992





O acontecimento do ano, a nível locai, foi, sem dúvida, o buracão orçamentai de um milhão e 150 mil contos. Não fora o facto de há poucos anos alguém da Câmara ter dado a entender que esta era uma das Câmaras mais ricas do País, e o actual buracão orçamental teria passado despercebido pois parece ser esta, infelizmente, a realidade de muitas Câmaras. O mais interessante é que ninguém consegue explicar o fenómeno, até porque as Câmaras, actualmente, dizem-se equipadas com recursos humanos (gestores, economistas, Juristas, consultores) e materiais (máquinas ecomputadores) de primeira água. 0u será que o velho tinha razão quando dizia que «quanto mais gatos, mais ratos?

Perante esta situação, a CM irá alienar parte do seu património, nomeadamente o parque de estacionamento subterrâneo. Será que depois fará o mesmo à Tourada, à ex-escola primária da Rua 23 e à Brandão Gomes? Não cremos. Seria cinismo a mais.

Entretanto, a Brandão Gomes continua em acelerado processo de decadência, pese embora as repetidas e veementes recomendações da AM no sentido da sua recuperação. A Piscina Solário Atlântico mantém-se, felizmente, de pé e de saúde mercê da forte oposição quer da AM quer da população contra o projecto estupidamente megalómano de a destruir e substituir por equipamento especialmente dedicado a bolsas endinheiradas. Por seu lado, o Castro de Ovil parece, no meio deste redemoinho, estar a merecer alguma atenção, o que é de louvar.

A atribuição de subsídios continua a ser feita segundo critérios pouco claros. Não raro tem a CM negado um subsídio numa semana e atribuir outro na seguinte. Se, por um lado, é solícita em justificar a não atribuição por não haver verba orçamentada para o efeito, frustra o observador mais atento não justificando por que atribuiu determinado subsídio. Para bem da consciência colectiva, seria melhor a CM elaborar uma lista de parâmetros a seguir na atribuição de subsídios e fornecê-la, na devida altura, aos potenciais interessados. Assim, ambas as partes poderiam, de facto, saber com que linhas se cosem e não deixar, como até agora, as pontas das meadas serem manipuladas e enredadas por dedos e mãos quiçá demasiado hábeis para o comum dos cidadãos.

Mais um ano passou e, por enquanto, ainda se vai podendo dizer que a qualidade de vida em Espinho é razoável. Há, todavia, aspectos que deverão merecer toda a atenção sob pena de, a curto prazo, o actual equilíbrio vir a degradar-se irrecuperavelmente.

Louvamos a introdução dos plasticões e apoiamos a extensão da Ideia em relação à recolha e reciclagem de papel. Todavia, o tratamento dado à recolhadosvidrões delxamuito a desejar. A segurança e a saúde do transeunte têm sido frequentemente ameaçadas por autênticas montanhas de objectos de vidro que, não cabendo nos receptáculos a abarrotar, extravasam para avia pública. Louvamos ainda as operações de limpeza das praias após a última época balnear, bem como a atenção às bolsas de jardim da Rua 19 nesta época natalícia. Quanto à defesa da costa, e apesar dos alertas de várias organizações dignas de crédito, a sua defesa não tem sido devidamente equacionada Trata-se, sem dúvida nenhuma, de uma questão complexa que, de modo algum, deverá ser tratada isolada e levianamente. A Associação Nacional dos Municípios e a Área Metropolitana deverão ser capazes de, em conjunto, encontrar as melhores soluções. Por outro lado, o alto grau de poluição registada no Rio Largo e na Ribeira de Silvalde, tantas vezes aqui referida e outras tantas objecto de recomendações por parte da AM, tem evidenciado a incapacidade do poder político local em fazer valer os interesses do Concelho que o elegeu perante os poluidores de concelhos limítrofes. Tem a Lei do Ambiente pelo seu lado. Que mais lhe falta para a fazer aplicar?

As “pequenas ilegalidades de espaço de tempo curto” pontuaram também infelizmente, durante este ano, com a pomposa assinatura do executivo de maioria PSD/CDS. Desde o famigerado processo do concurso da Piscina Solário Atlântico à discriminação e compadrio na selecção de cantoneiros, passando pelo favoritismo no caso do estacionamento privativo do Praia Golfe, pela exploração do parque de estacionamento da Baía e o fecho da passagem de nível da Rua 7, a maioria da CM continuou pródiga no desrespeito e desprezo para com as recomendações aprovadas por unanimidade e maioria na AM.

Estar-se-á perante uma doença crónica de um poder que, na incapacidade de melhores ideias e argumentos, opta pela política do “orgulhosamente sós”? Dezassete anos de experiência democrática parecem mais que suficientes para a eliminação deste tipo de vírus.