TASCA PIROLITO (77)


Querida Tia Bizantina,

Fiquei muito contente com a vossa carta e de saber que tinham festejado aí o Dia de Acção de Graças como deve ser e que conseguiram reunir a família toda, tendo até mesmo a Prima Poupança vindo de tão longe, de Seattle. Espero também que o vosso Natal tenha sido agradável, como foi o meu.

Achei imensa piada à história que a Tia me contou dessa do postal que o Mayor lhe mandou, todo cheio de truques, com luzinhas, música e bolhinhas de champanhe. Mas olhe que parece que a moda anda por todo o lado, não é só por aí. A D. Viperina há dias disse-me que também recebera um postal de boas-festas do Mayor de cá. A princípio eu pensava que ela estava a gozar comigo, mas ela mostrou-me. É muito mais simples do que o postal que a Tia recebeu. É branquinho, não tem música, não tem luzinhas e muito menos champanhe. Está a ver Tia, que não é só na América que há pessoas com estas ideias.

A grande novidade por cá foi a inauguração de um repuxo no meio de um largo que passou a chamar-se praça. Aquilo anda mesmo com mau olhado, como diz a D. Viperina. Primeiro, combinaram em pagar x para transformar o largo com repuxo velho em praça com repuxo novo e era tudo para ser feito em meio ano. Depois, a obra passou a custar o dobro e ficou quase pronta com mais de um ano de atraso. Por último, no dia da inauguração, o repuxo falhou e o Mayor aproveitou para contar mais uma graça das dele: que os atrasos nas obras eram normais e que inaugurações com repuxos a falhar eram normais por cá e Espinho tinha que confirmar a regra. O que é certo é que ainda andam por lá uns tapumes que ninguém sabe para que são, e os candeeiros ou estão às escuras ou dão muita pouca luz para a nova praça. A D. Viperina diz que os retoques finais estarão prontos lá mais para o Verão que é para os turistas poderem então tirar fotografias à vontade. Ela lá sabe.

Outra novidade foi as Janeiras este ano, que nunca mais vinham. Quando já se pensava que ia acontecer o mesmo que ao Carnaval das Escolas que vai ficar em casa, lá vieram as Janeiras no fim de Janeiro. Disse-me a D. Viperina que era costume haver as Janeiras por altura dos Reis, no primeiro fim de semana de Janeiro. Diz a D. Viperina que ouviu dizer que até estava para não haver Janeiras porque não havia dinheiro, mas depois avançaram com a massa e lá os grupos se apresentaram uns aos outros e às famílias e amigos, que a noite estava fria e o povo preferiu estar sentado a ver televisão.

Por agora é tudo. Espero que continuem de muito boa saúde. Por cá vou fazer por isso. Beijinhos para todos. Recomendações à vizinhança.

O Sobrinho que muito a estima,

Speakeasy Jones
Octávio Lima, 
Espinho Vareiro, 7 de fevereiro de 1997