A Câmara terá concluído o processo de aquisição dos terrenos necessários para a implantação da Escola C+S de Silvalde ao aprovar por maioria, em 4 de Janeiro, a troca de duas parcelas (9.270 m2) por 3 lotes de terreno seus e já infra-estruturados (2.100 m2), numa deliberação que contou com a oposição frontal dos Vereadores Casal Ribeiro e Artur Bártolo.
PREJUÍZOS PARA A CÂMARA?
«É de estranhar que esta Câmara, no final de mandato e ultrapassando o período para que foi eleita, se permita tomar decisões que podem ocasionar graves prejuízos à Câmara e propôr uma troca que, no dizer do Senhor Vereador Valdemar Ribeiro, é "altamente lesiva para a Câmara cujo património todos devemos defender"», declarou Artur Bártolo para a acta.
E o Vereador socialista explica tudo. Em 6 de julho de 1993, Romeu Vitó propõe a permuta daquelas parcelas por terrenos na zona industrial. Em 16 de julho de 1993, a Câmara aprova, com o voto contra de Valdemar Ribeiro, uma proposta a enviar ao proprietário das parcelas no sentido da sua troca por dois lotes de 70m X 10m cada (1.400 m2), infraestruturados, na zona industrial. Em 24 de outubro de 1993, o proprietário responde concordando, mas reservando-se o direito à área ocupada por uma piscina e respectiva casa das máquinas. Em 15 de novembro de 1993, o proprietário solicita à Câmara a reapreciação do seu pedido de permuta. Em 7 de dezembro de 1993, a Câmara delibera solicitar ao Ministério da Tutela a expropriação daqueles terrenos. Em 12 de dezembro de 1993, o proprietário solicita novamente à Câmara a reapreciação da sua proposta de permuta. Em 16 de dezembrode 1993, a Câmara aprecia aquele pedido. O consultor jurídico da Câmara é peremptório: «Não deve a Câmara deixar de executar a deliberação que tomou por maioria».
Em 4 de Janeiro a chuva era miúda e o nevoeiro intenso. E a Câmara deliberou sobre o que se disse no primeiro parágrafo.
Octávio Lima, Espinho Vareiro 14 de janeiro de 1994
