A CÂMARA E AS RENDAS SOCIAIS


Os solavancos dos autarcas do executivo no caso das rendas sociais é um exemplo flagrante de falta de coerêncIa e oportunismo eleìçoeiro.

A Assembleia Municipal de há cerca de um mês aprovou uma próposta do CDS no sentido de solicitar ao Governo o congelamento da portaria que alterou as rendas das casas do ex-Fundo de Fomento de Habitação, agora IGAPE. Na reunião privada da Câmara de 20 de Janeiro, o vereador do PS Carlos Sabença apresentou uma moção no sentido de a Câmara intervir na solução da portaria governamental Depois da discussão do assunto e da deliberação tomada, foi lavrada a acta onde, por lapso (!?) se lavrara que o autor da moção foi o sr. Almeida.

Nesta reunião Sabença exigiu a rectificação do erro. Entretanto Sabença voltou a pôr à discussão na reunião pública do dia 28 nova moção para o mesmo fim. Da discussão da moção ficou claro que a moção seria derrotada não só porque faltou aos trabalhos Azevedo Brandão, como na votação e eventual empate o sr. Almeida teria o voto de qualidade.

Sabença em face da prevista derrota retirou a moção e pretendeu tirar partido do mutismo de Fonseca na discussão acusando o de ‘dizer uma coisa na rua, outra na Assembleia Municipal e ainda outra diferente na reuião da Câmara’. Com respeito ao sr. Almeida, Carlos Sabença afirmou que o presidente ficou com o dilema: «Ou estar com o governo contra o moradores ou estar com os moradores contra o Governo». Só que para Sabença o tiro saíu-lhe 'pela culatra'.

Uma conclusão evidente resultou de toda a longa discussão deste assunto: o cuidado dos intervenientes em não perder a franja eleitoral dos prejudicados pela portaria que aumentou as rendas de casa...
Espinho Vareiro, 3 de fevereiro de 1989