A demissão do vereador Azevedo Brandão das atribuições do Pelouro da Cultura, verificada na última semana, vem dar mais um abalo na já periclitante Câmara espinhense a que o presidente ainda em exercício confere um cunho altamente desprestigiante e prejudicial para a imagem do poder local. Analisando com serenidade a prática do presidente durante os seus dois anos de mandato verifica-se, sem margem para contrariedade:
— O presidente sempre tem procedido de modo a desacreditar o poder local e o regime democrático, com atitudes arrapazadas e marginais, como seja:
— Falta dias no seu posto e quando vai aos Paçcs do Concelho é no fim da tarde e lá permanece uma ou duas horas;
— Não nomeou até agora o seu legal substituto na presidência;
— Não tem dito a verdade na Assembleia Municipal aos deputados acerca da zona de jogo, nem publica a acta sobre a tentativa da prorrogação da zona à actual exploradora;
— Não aceitou, a demissão do vereador Jorge Monteiro do cargo de vogal dos Serviços Municipalizados, estando o conselho de administração a funcionar só com o vogal Valdemar Ribeiro, porque sua excelência nem lá vai;
— Procede com o mais arrogante desprezo para com os vereadores que se lhe opuseram na votação para a construção da bancada em cima da avenida 8.
O presidente da Câmara deve demitir-se do cargo, porque está permanentemente a insultar os seus conterrâneos com uma prática ofensiva. Não há memória em Espinho de um tão prolongado caso de desprezo de um Presidente da Câmara pelo cargo.
Espinho Vareiro, 19 de fevereiro de 1988.