UMA QUESTÃO DE AMBIENTE
Na sua edição de 10 de Fevereiro, publicou este semanário um artigo da autoria de Nuno Barbosa (NB) condenando o preocupante e desenvergonhado renascer do nazismo sob a forma de pichagens murais. Para além de terem conspurcado paredes de prédios de habitação, os mentores e autores destes graffiti chegaram ao cúmulo de nem sequer respeitar o pacato muro ocidental da Igreja Matriz.
Não conhecemos concretamente as posições da comunidade cristã sobre questões como a higiene, a arte ou o ambiente, mas seria salutar e dignificante se se lembrasse do episódio dos mercadores do Templo e que, tal como Jesus, arregaçasse as mangas e expulsasse estes símbolos de ódio.
Como muito bem diz N.B., trata-se de uma questão de higiene. E, tal como o lixo que é diariamente varrido, este outro tipo de lixo deverá ser tratado da mesma maneira sob pena de poder vir a ser muito mais nocivo. Compete à Câmara a remoção destas pichagens. Trata-se de um sério atentado ao ambiente porque, pela sua hostilidade gritante, agride e fere o visual circundante. Entretanto, a utiflzação de sprays pelos famigerados pintores, — dizem que Hitler também o foi—, terá certamente feito estragos razoáveis na camada protectora de ozono. Citando N.B., «Hitler tinha razão quando se suicidou». Ao tomar tal atitude, Hitler teve consciência de que o seu único lugar era o caixote do lixo da História. Só que este tipo de lixo parece ser pior que o nuclear. E não chegará a pronta acção de uma brigada de limpeza camarária para o limpar. Se queremos realmente legar aos vindouros um ambiente físico e mental despoluído, teremos de encarar a limpeza deste lixo como uma tarefa solidária.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 24 de fevereiro de 1989.
