NAVEGAR É PRECISO

Imagem: Google maps - setembro 2014

É grande a azáfama na Vila Manuela, transformada desde Maio de 1990 em Centro de Investigação e Formação em Multimédia. Uma equipa orientada pelo Dr. Armando Jorge entrou na recta final do «Mar Português», projecto multimédia que pretende contar a história da epopeia dos Descobrimentos Portugueses e que vai ser apresentado na Expo 92 de Sevilha entre 20 de Abril e 12 de Outubro.

O programa, em cinco línguas, —Português, Castelhano, Francês, Italiano e Inglês —, consta de três partes: antes dos Descobrimentos (mitos e lendas), o papel de Portugal na expansão planetária dos europeus e o encontro cultural e económico dos mundos. Trata-se de um programa simultâneamente multimédia e interactivo. Multimédia, porque, através do computador, inclui texto, gráfico, video e audio (música e locução), e interactivo porque o utilizador, através do «rato» e de «zonas interactivas» (tipo menu), controla totalmente o ritmo, a forma e o tipo de acesso à informação desejada.

Até agora foram investidas milhares de horas, «invisíveis» para o futuro utilizador, por toda uma equipa que, com engenho e arte, programou, planificou, estruturou e executou este documento informático. Para além da sua apresentação na Expo 92 de Sevilha, prevê-se a viagem de «Mar Português» a Génova (Maio — Exposição sobre Cristóvão Colombo) e, possivelmente, ao Rio de Janeiro, em Agosto. «Mar Português» será posteriormente aplicado no Ensino.

Génese

O projecto partiu da ideia de um pequeno programa de computador que o Dr. Armando Jorge fez para os filhos. Em Aveiro, por ocasião da Mostra de Ciências e Novas Tecnologias, Armando Jorge falou sobre isso a Sucena Paiva, na altura Secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, que ficou entusiasmado. «Se não fosse ele, o projecto teria continuado a ser pessoal», reconhece Armando Jorge.

Em 1990 «Mar Português» foi apresentado, ainda embrião, à Comissão Nacional dos Descobrimentos, que atribuiu um subsídio para investigação, pessoal, formação e equipamento. Dadas as insuficiências do apoio, a Câmara Municipal de Espinho aderiu e subscreveu um protocolo com a Comissão dos Descobrimentos e com Armando Jorge. Segundo o protocolo, a CM cedeu as instalações da Vila Manuela, atribuiu um subsídio de 10 mil contos, e todo o equipamento passou a fazer parte do Centro de Investigação e Formação em Multimédia de Espinho enquanto este funcionar.

Futuro

Se outros valores mais altos se não «alevantarem», parecem estar criadas as condições mínimas para que este Centro continue a rasgar «mares nunca de antes navegados». Os investimentos já feitos em recursos materiais e humanos justificam-no. Aliás, não foi por mero acaso que há pouco tempo um dos três patrões da marca de computadores utilizados no Centro o visitou, tendo sido manifestada a disponibilidade para apoiar não só este como futuros projectos.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 21 de fevereiro de 1992.