O CASTRO DE OVIL


Depois da sua descoberta do Castro de Ovil em 29 de Janeiro de 1981 pelo GEDAPE, fizeram-se nos dois anos subsequentes trabalhos de escavações sob a orientação de dois licenciados em arqueologia e com a colaboração de jovens desta cidade integrados nos Tempos Livres. A descoberta do que resta de três casas com mais de 2.000 anos numa pequena área de 50 m2 meticulosamente escavada, e as centenas de cerâmicas, objectos de ferro e machados de pedra pertencentes aos povos que aí habitaram dá-nos a certeza de estarmos em presença duma importantíssima unidade arqueológica de grande significado para o património cultural do concelho de Espinho. Torna-se, portanto importante prosseguir a política de valorização da área em que o Castro está implantado, considerando que o Município já adquiriu aqueles terrenos há largos meses.

Assim, e em consequência do interesse que o GEDAPE vem dedicando à implantação duma verdadeira política cultural, atrevemo-nos a solicitar à nossa Câmara que programe uma valorização imediata do Castro de Ovil, começando por ordenar a sua limpeza dos silveirais e mato e à devastação do arvoredo que, forçosamente está, com as raizes, a destruir as ruínas dos fogos que se encontram por toda a área soterrados.

Por outro lado a existência do que resta da fábrica de papel aí existente possibilita o estudo da arqueologia industrial agora tanto em voga. É uma coincidência que importa aproveitar com urgência sob a supervisão creditada de especialistas nesta especialidade. Para além do desenvolvimento cultural que a valorização do Castro de Ovil implica, a sua exploração turística neste concelho tão potencialmente falada mas incompreensivelmente descurada, será, sem quaisquer dúvidas, um importante polo de interesse para grande percentagem dos turistas que todas as épocas nos visitam. Assim o queira quem pode e manda.

Espinho Vareiro, 7 de fevereiro de 1986.