Apenas sete dos 20 membros da Aliança Democrática, votaram a favor da inviabilização do Parque de Campismo de Sales. Dos restantes, oito abstiveram-se, quatro não compareceram à sessão, e um não pôde usar o direito do voto!
O Presidente da Junta de Guetim nem sequer quis participar na votação, pois, no seu entender, a maneira como o assunto surge na Ordem de Trabalhos, é manifestamente despropositada e irregular.
O Partido Socialista, pela voz de Avelino Zenha, desmontou todo o processo baseando-se fundamentalmente no Plano de Urbanização que indica uma Zona Verde para o local, que era preservada com a construção do Parque de Campismo, e pela impossibilidade legal da Assembleia Municipal desviar a verba já destinada ao Parque, para outros fins. Referiu ainda aspectos de ordem económica que a construção do Parque trás ao Concelho, nomeadamente ao comércio.
O PS atacou também a Mesa por não incluir na Ordem de Trabalhos outros assuntos mais importantes, como sejam o problema das rendas de casa do Bairro Piscatório (polémica com a Junta Central das Casas dos Pescadores/Caixa Nacional de Pensões) e ainda a apreciação do projecto de lei do Governo sobre a alteração das obrigações resultantes da exploração da Zona de Jogo. Sobre este assunto, Luís Marques Gomes, da AD, segundo-secretário da Mesa, que não exerceu funções nesta sessão, afirmou que também se abstinha, desvinculando-se da decisão da Mesa que é da Aliança Democrática, pois não foi consultado sobre a elaboração da Ordem de Trabalhos. O Presidente da Junta de Anta, absteve-se também, informando que não estava dentro do assunto, embora viesse mandatado pela Junta de Freguesia para apoiar sem rodeios o Projecto do Parque de Campismo de Sales.
O Presidente da Mesa, Pedro Lima (ex-CDS) e o Primeiro Secretário Ramiro Teixeira (do PSD), apresentaram uma segunda proposta diferente da proposta da AD, propondo que as verbas deveriam ser gastas na construção de casas no local do Parque, não ligando ao Plano de Urbanização. Ricardo Catarino, AD, mais cauteloso, não falou na construção de casas, mas apenas na suspensão do Parque até melhores dias...
Vicente Alves Pinto Junior, da AD, foi impedido de votar pela Mesa , uma vez que era parte interessada nalguns dos terrenos, que pertenciam a seus familiares. A Mesa fundamentou a sua decisão no Artº 102. da Lei 79/77. Vicente Alves Pinto Junior veio a protestar pela decisão da Mesa, dizendo que não era parte interessada. A Mesa responsabilizou-se pela decisão e com certeza que vai averiguar.
Álvaro Duarte, da AD, como sempre polémico em toda a sua intervenção, só falou no bem que Manuel Oliveira Violas tem feito a Espinho, acabando por solicitar à Câmara que mandasse suspender as obras do Parque de Campismo da Solverde , que ainda não fora aprovado pelo Executivo. Acusou os «comunistas» e «socialistas» de perseguirem Manuel Violas, esquecendo-se que o processo já vem de 1964 e 1973, onde, ao que nos consta, não havia tal «gente» nos centros de decisão local. Esqueceu-se também o mesmo Duarte, que ele próprio e a AD, tinham, ainda em Outubro, votado favoravelmente o Parque no Plano de Actividades.
Jorge Carvalho, em nome da APU, apoiou as posições do PS, pois acima de tudo estava em causa uma questão de princípios e de respeito das leis.
A votação foi concluída. A favor da proposta de alguns elementos da Aliança Democrática , que tinha como fim ínviabillizar a construção do Parque, houve apenas 7 votos a favor, 8 abstenções, também de elementos da AD, e 19 votos contra do Partido Socialista e APU.
O Parque vai pois para a frente! Só esperamos que a obra ande depressa!
Seguiu-se a votação do Quadro de Pessoal, que veio a ser aprovado por unanimidade na generalidade. (…) A sessão terminou eram cerca das 3 horas da madrugada, com amuos de alguns e a satisfação da maioria. Os cidadãos qe encheram a sala compreenderam muito bem os Interesses que estava em jogo! Grande vencedor foi, sem dúvida, o poder local!
Espinho Vareiro, 20 de fevereiro de 1981.