QUE GESTÃO? QUE GESTORES?

AINDA OS AUMENTOS ESCANDALOSOS DA ÁGUA
A água foi aumentada em Junho de 1990 de forma já então muito sentida pela população. Agora, passados apenas seis meses, foi aprovada pela maioria PSD/CDS uma nova tarifa ainda mais gravosa para os pequenos consumidores, atingindo os 150% para os que consomem apenas 5 m3. Mas, ainda não está aplicada esta tarifa e já outra foi aprovada pelos autarcas do PSD e do CDS.

A título de pagamento da utilização do saneamento, este encargo dos contribuintes, que não existia, é na verdade um aumento da água. Quem tiver saneamento ligado vai pagar mais 20$00 (vinte escudos) por metro cúbico de água. É uma tarifa contra a salubridade já que não incentiva as populações, em especial as rurais, a ligar o saneamento.

Quando há meses se começou a falar de ruptura financeira da Câmara não imaginaria ninguém que a solução para esse problema fosse o «assalto aos bolsos dos espinhenses», como está a acontecer. A tendência do vereador Valdemar Ribeiro para soluções deste tipo é conhecida e não admira. O que poderá espantar é que tenha sido acompanhado pelo presidente Vitó e Elsa Tavares do PSD e o vereador José Fonseca do CDS.

A falta de senso destas medidas é evidente e só a solidariedade partidária dos eleitos do PSD e um alinhamento pouco compreensivo, ou talvez não, do vereador do CDS, pode explicar a aprovação de tais propostas apesar de toda a argumentação em contrário apresentada pelos restantes vereadores, com destaque para o vereador Casal Ribeiro da CDU.

Esta votação prenuncia uma partidarização das decisões que nada de bom pode trazer para o funcionamentoda Câmara. Esperemos que tenha sido um caso esporádico. O presidente Romeu Vitó e os vereadores Elsa Tavares, Valdemar Ribeiro e José Fonseca, foram insensíveis a todos os argumentos desde os que apontavam para ilegalidades e não fundamentação até aos que defendiam uma maior justiça social.

Dizer que se está ao lado dos menos favorecidos, e nas situações concretas votar contra eles, é um sentimento pouco nobre e nada dignificante. É uma pena que estas discussões não tenham sido feitas publicamente pois sabemos que elas foram bem acesas ainda que a partir de certa altura tudo fosse em vão. Com uma discussão em público talvez o desfecho tivesse sido outro.

Será assim que vamos «Viver melhor na nossa Terra» como o presidente Romeu Vitó se fartou de apregoar e prometer na sua campanha? Quem acredita?

Espinho Vareiro, 1 de fevereiro de 1991.