A Delegação Regional da Indústria e Energia do Norte acusou a Gole-Auto de contaminar o solo com descargas de óleos usados. Pediu informações à Câmara há seis meses. Só agora esta a informou: desconhece as descargas fora-da-lei. O solo que pague a crise.
«Através de vistorias e acções subsequentes conclui-se que a empresa em referência tem cometido infracções(...) em virtude de estar a lançar no solo (colector público, vala, poço sumidouro, etc) óleos usados e outros resíduos de derivados de petróleo» (sic), denuncia aquela Delegação em ofício de 28 de Agosto de 1992.
Por isso, solicitou quatro informações. Primeiro, «se do licenciamento [da obra] consta autorização para lançamento no colector de saneamento público ou solo de águas residuais contaminadas com hidrocarbonetos e óleos minerais» (sic). Segundo, «se do seu licenciamento consta alguma referência ao processo de tratamento das suas águas residuais contaminadas por óleos usados (...) a fim de elas poderem ser lançadas no solo sem efeitos nocivos para o mesmo» (sic). Terceiro, « se é do conhecimento da Câmara que a referida empresa também escoa águas residuais com elevado teor de hidrocarbonetos e óleos minerais através de um reboque cisterna auto que por sua vez é despejado em diversos locais, com graves prejuízos para o solo» (sic). Finalmente, « se a Câmara ou os Serviços Municipalizados já alguma vez a notificaram ou autuaram por este tipo de infracção» (sic).
A leste do ambiente
Na informação agora dirigida à Delegação Regional da Indústria e Energia, consta o seguinte, assinado pelo Eng.º Técnico Armando Magalhães: «Nestes lançamentos está só previsto as águas residuais provenientes das instalações sanitárias (...) Não é do conhecimento desta Divisão qualquer escoamento da águas residuais contaminadas» (sic).
Comentários para quê?
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 12 de fevereiro de 1993.
