SÃO SÓ DUAS PALAVRINHAS


Semana difícil, a que passou para as chamadas "populações ribeirinhas". Os elementos entraram em convulsão e a chuva, o vento e o velho Atlântico, iracundos, fustigaram este Norte que é sempre o primeiro a comer com o que lhe não interessa. Foi um ver se te avias. Julgávamos nós que as ofensivas do mar nesta espinhense costa eram já só recordações, más recordações. Pensávamos nós que os "passeios" das águas sob o comando de Neptuno pela Esplanada e pela Rua 4 eram memórias arrumadas definitivamente nos cerebrais arquivos.
Forte equívoco. A espuma e as salsas ondas voltaram, na semana passada a fazer picadeiro pelas artérias que dão pelo número de 2 e 4 e a pôr quase o credo na boca aos respectivos moradores. O mar acordou, estremunhado, dum sono de alguns anos, provando que está vivo e que ninguém brinca com ele, Impunemente. A validade das recentes obras de defesa da costa foi, se bem que parcialmente, posta em causa. Foi um alerta. As coisas não são tão seguras como, à primeira vista, parecem. A infalibilidade do Homem às vezes é... falível.
Daí que se possa concluir que o que se pensava certo e seguro, talvez não o seja tanto assim e novas medidas tenham de ser tomadas para se criar uma efectiva defesa da costa espinhense. "As entidades responsáveis sabem mais do que nós", dizem os " mirones" que diariamente observam as contínuas descargas da areia frente à Rua 23. Também acho. Só que é necessário provar isso no terreno, dia a dia.
Nuno Barbosa
Espinho Vareiro, 9 defevereiro de 1990