Um funcionário obrigado a demitir-se dos serviços da Administração local por confessado envolvimento na alteração de um documento para viabilizar a montagem de uma indústria, é o resultado de um nebuloso caso passado no nosso concelho envolvendo muita gente.
O caso reporta-se a 1985 quando a Esmopol, uma empresa industrial com sede em Silvalde, aluga no Carvalhal, Esmojães, Anta, um antigo barracão de fazer blocos de cimento para a construção civil com a finalidade de armazenar produtos de poliester fabricados na sua unidade fabril.
Depois de fazer a sua declaração na Câmara (do armazém) o registo aparece alterado no original «armazém» para « indústria». A «nova» indústria passou a fabricar produtos em poliester naquele armazém à revelia de todas as normas legais: sem licenças de água, sanitários, vistorias etc.
Tudo corria às maravilhas, quando um proprietário de um terreno contíguo meteu um projecto de loteamento do terreno à Câmara, que foi aprovado. Feitos os arruamentos pela Câmara, o caminho de servidão da fabriqueta que até aquela altura era feito pelo terreno loteado, foi alterado para local mais conveniente. Não satisfeitos com a decisão camarária, alguém arrancou as guias do arruamento no local de atravessamento que até aí tinha utilizado e guardou-as na fábriqueta, continuando a servir-se do primitivo acesso. Denunciada a situação à Câmara porJoaquim Nicolau, proprietário do loteamento, esta nada fez de concreto a não ser dizer estar a investigar a situação internamente.
«Espinho Vareiro» por duas vezes denunciou a situação, mas… nada. A autoridade da Câmara andava a ser ridicularizada.
Os meses passavam até que o proprietário fez chegar o assunto ao Jornal de Noticias através de um completo processo fotocopiado em que mais entidades, entretanto alertadas para a ilegalidade da «indústria», tinham tomado posição oficial sobre o caso. O «JN» encarregou então o seu colaborador na região, para fazer uma reportagem completa sobre o assunto. Este ouviu todas as partes envolvidas, mas quando tinha a reportagem complete, ela não saíu... e o repórter foi contratado para assessor de imprensa do presidente Romeu Vitó!
Mas o ex-repórter explicou ao proprietário que a reportagem havia de sair depois de serem tomadas diversas medidas. Entretanto, o funcionário da Câmara saíu do serviço e o caso das guias foi participado ao Tribunal e os meses passaram. Até que Margarida Fonseca, a sucessora do tal repórter agora assessor do presidente, tomou o assunto em mãos e fez sair a reportagem no JN na última semana denunciando ainda a agressão ao meio ambiente que a fabriqueta produz de parceria com outra que lhe fica vizinha.
Espinho Vareiro, 5 de fevereiro de 1993.