VIADUTO PRONTO

NOVA ESTAÇÃO PARA QUANDO?

Há meses que se encontra aberto a veículos e a pessoas, o trânsito no viaduto, sobre a ferrovia, e respetivos acessos, obras que custaram ao erário público, muitos milhões de escudos. Naturalmente que todo o dinheiro ali gasto não teve por fim construir uma «varanda panorâmica». Nem sequer porque a zona ribeirinha tivesse poucas passagens de acesso, isto de se considerar, que para a reduzida quantidade de habitantes daquela zona, existiam três passagens de nível nas Ruas 7, 23 e 33 e ainda a passagem inferior para peões na Rua 19. O que estava em causa era a interrupção temporária dessas passagens e o perigo, que, por vezes, representava o seu atravessamento principa:mente devido a falhas humanas. 
Ora, depois de concluídas estas importantes obras, tudo indicava que a Câmara Municipal se tivesse entendido com a C. P., no sentido de ser vedada ao trânsito de veículos a P. N. da rua 7, pois, só assim, se justificava o dispêndio feito, ficando esta passagem apenas reservada a peões, com a conservação dos sinais, luminosos e acústicos. 
Porém, ao que parece, a C. P. já contactou a Câmara Municipal neste sentido e esta, segundo consta, não esteve receptível àquela pretensão. Não há dúvida que, se assim é, não está a Câmara Municipal a encarar com justeza e bom senso o problema. 
A P.N. da rua 7 já devia ter sido fechada ao trânsito de veículos e reservada a peões nas condições indicadas. Mas há mais. Não tem a menor justificação, pelos motivos também já expostos, (a reduzida quantidade de habitantes na zona ribeirinha), que permaneça aberta ao trânsito de viaturas a P. N. da Rua 23, a qual, como a da Rua 7, deve ser apenas reservada a peões. Os acessos de veículos à praia, tanto a habitantes como a banhistas, ficam completamente assegurados; a Norte pelo viaduto e a Sul pela Rua 33. 
Dado que se está falando em Caminho de Ferro, não será descabido abordar outro assunto com ele relacionado. Refiro-me às precárias condições do edifício da sua Estação. O edifício existente para serviço de passageiros e situado com frente para a Avenida 8, foi, ao que parece, inaugurado em 1870. Hoje não reúne as mínimas condições de operacionalidade e não dá aos utentes as mais rudimentares condições de conforto. E até a sua localização está completamente desfazada em relação ao desenvolvimento, da cidade, que se processou no sentido nascente. 
Por muito que pese aos seus detractores, o Caminho de Ferro ainda hoje é um dos mais valiosos bens da cidade, sem contar que foi o Caminho de Ferro o factor principai do seu progresso e desenvolvimento. Do seu valor de sempre podem testemunhar, ainda hoje, os comerciantes com estabelecimentos na sua proximidade, pelo volume de transacções que fazem em comparação com os estabelecimentos noutros locais. Como noutra ocasião tive oportunidade de referir, Espinho tem absoluta necessidade e possibilidade de ter uma Estação que se harmonize com o seu desenvolvimento e as suas características de cidade moderna, virada ao futuro e cujo volume de passageiros, embarcados e desembarcados, bem o justifica. 
A construção duma estação com os requisitos desejados, não é só possível como viável, uma vez que existe um local nas melhores condições e dentro dos limites do Caminho de Ferro e, o custo de nova edificação, considerando o estilo a que deve obedecer, tipo pavilhão rés-do-chão, será pouco vultoso. O local lembrado situa-se entre as ruas 19 e 23, com frente para a Rua 8 ( não confundir com Avenida 8). Este terreno que tem uma frente de cerca de 150 metros, onde se encontram as linhas da via estreita e a barraca de Espinho-Praia, é suficientemente espaçoso para se instalarem todos os serviços operacionais e dar ao Público comodidades a que tem jus. 
A linha do Vale do Vouga, terá o seu términus a sul da rua 23. O actual edifício da estação ficaria para abrigo dos passageiros destinados ao norte, onde também, teriam as comodidades exigidas. Considerando o valor que para a cidade e o concelho representam as sugestões apresentadas, para elas se pede a devida atenção das componentes autárquicas, Assembleia Municipal e Câmara Municipal.

Espinho Vareiro, 15 de fevereiro de 1980.