13 CENTROS DE DETENÇÃO PARA EMIGRANTES CLANDESTINOS

CARTA DE PARIS
Foto: Gérald Bloncourt

Destinados, segundo se diz, a albergar os emigrantes em instância de serem expulsos do território françês, estes centros têm sido instalados no meio do maior segredo possível. Nem mesmo as Câmaras Municipais onde estão ou vão ser instalados os centros, são postas ao corrente do facto. (...)
Oficialmente, diz-se que foram criados para melhorar as condições das pessoas em instância de expulsão e a sua reexpedição na direcção das fronteiras dos países donde são oriundos. A decisão de criar tais «Centros» foi decidida em 5 de Abril de 1984, e em Conselho de Ministros, ainda no tempo do governo de Pierre Mouroy, onde nessas alturas já eram explusos mais de mil clandestinos por dia!
Serão 500 LUGARES de detenção, chamados oficialmentepelo nome de «retenção administrativa». O que mais nos admira é o segredo destas decisões, uma vez que se sabe que foram previstos créditos importantes cm 1984 para pagar tais operações. (...)
Naquilo que nos diz respeito em tanto que portugueses, sem deixar de pensar nos nossos Irmãos doutros países, EM PRIMEIRO LUGAR o corpo diplomático português de França, embaixadas, (consulados e outras Instâncias, têm que ter um empenhamento sério e firme nestas questões, e depois o movimento associativo, todo o movimento associativo, todo o movimento que defende a causa dos trabalhadores emigrantes, os partidos políticos que na sua prática quotidiana têm dsmonstrado que estão ao lado dos emigrantes.
Tudo isto acompanhado com, uma grande campanha de Informação junto da nossa Comunidade, assim das outras, e só assim poderemos travar as envestidas que mais do que certo, irão ser feitas contra os Emigrantes. Futuramente seremos a maior parte clansdestinos, mesmo que tenhamos trabalhado 20, 30 anos aqui, neste país, pois, estando sem trabalho muito tempo, e não havendo possibilidades de trabalhar , não tendo meios de subsistência para poder viver aqui, automaticamente, seremos clandestinos e aptos para ir para os tais «Centros» e daí para a nossa terra e de avião.... Não é um sonho, nem utopia aquilo que escrevemos, mas são os sinais que apercebemos no horizonte se não acordamos a tempo de desmantelar esta doena do século vinte.

Batista de Matos, França
Espinho Vareiro, 8 de março de 1985