O presidente da Câmara e da assembleia geral do Sp. de Espinho, sr. Lito de Almeida, é, presentemente, o pólo gerador de gravosas consequências para a autarquia e o clube, considerando o arrasante índice de impopularidade de que disfruta.
O «simpático boémio nortenho», como lhe chama o Semanário «Expresso» na sua edição de 19 do corrente, não colher o populìsmo que vinha a disfrutar à custa do futebol e da distribuição de sabonetes na campanha eleitoral, em consequência da sua postura arrapazada e arrogante, e por ter concomitantemente colaborado e afrontado certo poder económico local.
O sr. Almeida fez uma opção. Optou por desempenhar os cargos fazendo alarde de comportamentos e práticas inaceitáveis. Os que votaram nele, ou no partido que o propôs, estão muito preocupados.
Todavia, e se tiver certa dose de coragem e de bom senso, ainda poderá atenuar a queda que ele próprio liricamente provocou.
Mas Lito Almeida não tem actuado sozinho, como é de sobejo conhecido. O versátil e misterioso Rolando de Sousa é o seu lugar-tenente tanto na Câmara como na colectividade.
De facto, e aparentemente na sombra, Rolando é muito mais conivente do que pode parecer. Surgido na política quando o seu partido ainda tinha alguma credibilidade, aproveitou-se do abandono partidário de Avelino Zenha, A. Ruano, A. Castro Lima e muitos outros militantes dignos, para em conjunto com a então ascendente Rosa Albernaz traçar a sua meta política. Razões de ordem profissional levaram-no a ter que se abeirar de certo poder influente tanto junto da empresa como das então cúpulas reinantes do PS (Mário Soares e Almeida Santos), aproveitando também o facto do actual Presidente da República ser padrinho de um dos filhos da mandante do que resta do PS local.
Cultivador de uma relação pública sonsa e mentirosa Rolando viu afastarem-se sucessivamente os notáveis locais do seu partido.
Teve apoio monetário do poder económico local para a campanha eleitoral mas perdeu para Lito Almeida e José Fonseca. Há mais de um ano aliou-se ao primeiro na deplorável manobra do SET para prorrogar a concessão da zona de Jogo.
E também à votação ilegal para viabilizar a construção da bancada do Avenida.
Esta manobra foi descoberta e isso tirou-lhe todas as ambições políticas que o partido que o apoia, pulverizado a nível local por razões que são conhecidas, não desmente.
Resta aguardar a evolução dos acontecimentos para se aquilatar todo o envolvimento destes dois autarcas na medíocre e escandalosa prática administrativa do Executivo.
Espinho Vareiro, 25 de março de 1988.