Espinho, 9 de Fevereiro de 1988.
Ex. mo Sr. Presidente da Câmara de Espinho
Como muito bem sabe e é já do domío público, as nossas relações, dentro da autarquia, alteraram-se profundamente por parte de V. Ex.a após o famigerado caso da bancada do Sp. de Espinho, facto, aliás, referido várias vezes por V. Ex.a.
Nesta conformidades, e dentro de uma linha de conduta que sempre tem pautado quer a minha vida particular quer pública, não posso, nem devo continuar a ser « rei sem reino» e colaborar com quem, sem me hostilizar abertamente, não dá um passo para um diálogo franco e aberto que sempre haveria de caracterizar este executivo. Por outro lado, tenho vindo a verificar, durante os últimos tempos, que os assuntos relativos às minhas atribuições não me são despachados como deviam e era costume, pelo que me leva a crer já não lhe interessar aa minha colaboração no Pelouro da Cultura e terá outras intenções reservadas sobre o mesmo.
Por tudo isto e não tendo nem condições psicológicas nem materiais para continuar a ser responsável pelo referido pelouro, não estando assim reunidas as condições com que aceitei o cargo no início do mandato e confirmado no ano seguinte, venho, por este meios renunciar ao Pelouro da Cultura, mantendo-me apenas no executivo como vereador sem pelouro. De V. Ex e Atenciosamente,
O Vereador,
Francisco Azevedo Brandão
Espinho Vareiro, 4 de março de 1988.