ÁRVORE PARA QUE TE QUERO
O Dia Mundial da Floresta comemorou-se este ano sob o signo de tragédia iminente na sequência de recentes e ominosas revelações de cientistas dos quatro cantos do Planeta.
Durante anos motivo de indiferença, incredulidade e até troça, a destruição da camada de ozono parece agora ter atingido o inevitável ponto de ruptura. Segundo aqueles cientistas, os raios ultra-violetas estão cadavez mais na origem de cataratas e cancros de pele. Daí o alerta geral: uso obrigatório de cremes protectores, óculos de sol e chapeús. Prevê-se até alterações radicais nos padrões de beleza, em que o branquinho vitoriano e puritano destronará o latino bronze machista. A interessante ideia de média diàriam ente a qualidade do ar, cujo teor passou a constar dos boletins metereológicos, parece trazer uma única vantagem perante a falta de medidas concretas de combate à poluição do ar. Já que não chove, fica-se pelo menos-a saber se deve ou não sair com máscara protectora.
Às transformações climatéricas são mais que evidentes. Em Portugal vive-se, eufóricamente, a mais prolongada seca em 100 anos. Todavia, os largos e despreocupados sorrisos, o tom acusador para quem estranha a falta de chuva e os verdejantes estádios levantam . dúvidas sobre os actuais valores que parecem prevalecer na sociedade actual.
A ganância, a sede do dinheiro fácil e o beneplácito do poder político têm permitido uma autêntica orgia de destruição dafloresta, património natural e pulmão do mundo. Ao criticar o Terceiro Mundo por destruir as suas florestas tropicais e ao exigir a sua conservação, os países ditos desenvolvidos e civilizados mais não têm feito do que alijar responsabilidades nessa mesma destruição. São eles que, pelo seu poder económico, se têm dado ao luxo de exigir, entre outras coisas, os sonhos exóticos que as madeiras nobres lhes proporcionam. Daí os naturais conflitos de interesses e a lentidão natomada de medidas articuladas e globais na resolução dos vários problemas ambientais relacionadas com a floresta.
Se realmente quisermos garantir um futuro de qualidade ambientai para os - vindouros, teremos que mudar os nossos estilos e padrões devida. Para além de consumirmos menos, deveremos reciclar mais. E plantar mais árvores, claro.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 27 de março de 1992