ANO MUNDIAL DO AMBIENTE

AS PRIORIDADES E AS CONVENIÊNCIAS


De repente, e com a vinda de dezenas de milhões de contos da CEE, a defesa do ambiente assume foros de «guerra» prioritária do Governo. 
O concelho de Espinho necessita de encarar com urgência a eliminação dos focos poluidores que estão a prejudicar a qualidade de vida das suas populações e a manchar a imagem de estância turística de primeira classe e que há anos vimos a denunciar. 
Todos temos bem presentes as escandalosas análises que a água do nosso mar apresentou nos últimos dois anos, fruto de uma negligência relapsa de alguns responsáveis que se assumem «por minha honra que desempenharei com lealdade as funções que me estão destinadas». 
Os focos causadores da vergonhosa situação continuam prontos a denegrir a imagem e a causarem doenças graves a quem incautamente se acolhe entre nós se não se tomarem medidas urgentes. 
Eles são as elevatórias de saneamento com mecanismos gastos, os cursos de água que já vêm de concelhos vizinhos podres e infectados mas que cá se enriquecem com imundícies, que semeiam milhões de coleiformes nas águas do mar onde desprevenidos banhistas se divertem porque nem placas informativas se implantam nas praias infectadas.
Eles são os fumos industriais que persistem e queimadas de resíduos altamente tóxicos que se fazem impunemente a céu aberto. 
A poluição sonora então tem lugar de honra e, até, talvez mais grave, para a saúde dos que a ela estão sujeitos e indefesos porque as mesmas prerrogativas que competem a quem de direito são, só, letra morta. Desde os desaustinados comboios a atravessar de lés a lés a cidade como a corja de faunos aceleras que descendo dos povoados daqui fazem o palco das suas exibições, passando pelos suplícios de Tântalo dos barulhos permanentes compassados, o cidadão está hoje indefeso e aperreado.


É tempo, pois, de aplicar a lei das prioridades nesta terra de soluções sempre muito dilatadas por via das vesguices dos que entendem que obras de fachada é que promovem a cidade e dão bem-estar às populações.
A. M.
Espinho Vareiro, 23 de março de 1990