ASSEMBLEIA MUNICIPAL

PSD CONTRA MONUMENTO AO 25 DE ABRIL

Google Maps, abril de 2025

De nada valeram os repetidos apelos de toda a Oposição ao bom senso do PSD. Inabalável, a sua posição manteve-se durante a reunião de 15 de Março e concretizou-se no seu voto contra um monumento ao 25 de Abril a ser implantado em 1994, por altura do seu 20º aniversário. É que, para os social-democratas, a ideia é inoportuna e oportunista porque o 20º aniversário não é tão importante como o 25º e a Câmara e o país estão em crise. 
Segundo a CDU, autora da proposta, o 25 de Abril é um «marco histórico no nosso dever colectivo» e «a data merece, pelo significado que encerra, comemorações especiais». Espinho merecia, pois, um monumento ao 25 de Abril «pelas suas tradições democráticas, pelo apego que sempre demonstrou aos valores de liberdade, de solidariedade e fraternidade humanas». Propunha-se assim a construção de um monumento cuja inauguração fosse em 1994. E a proposta sugeria que a Câmara determinasse a sua localização, lançasse um concurso de ideias, promovesse a angariação de fundos e inscrevesse na revisão do Orçamento a dotação financeira para o efeito. Perante a perturbante resistência do PSD, Carlos Gaio defendia que a ideia era sempre oportuna porque o 25 de Abril era «uma forma de estar, uma exaltação à vida, à tolerância, à liberdade». Incompreensivelmente, ninguém esperara 25 anos para erigir estátuas a Sá Carneiro, concluía aquele vogal socialista. 
E Jorge Carvalho (CDU) desabafava: «Não compreendo como eleitos deste regime levantam obstáculos ao monumento. Estamos aqui porque o 25 de Abril deu liberdade de reunião, liberdade de expressão e o poder local democrático». 
Correia de Araújo (CDS) ainda apelou ao bom senso de Alcindo Ribeiro, na ocasião porta-voz do PSD. Seria embaraçoso para os social-democratas reprovar a ideia, frisou o vogal centrista. 
Em vão tentou a Oposição demover o PSD. A proposta do monumento foi aprovada por maioria. Em nada silenciosa.

EXALTAÇÕES 

Em noite para recordar, foram proferidas algumas «tiradas» que gostosamente reproduzimos: 

- Correia de Araújo: «Tem de ser um monumento grande e não um grande monumento, para não ser como a taça de água em frente à Câmara». 
- Dulce Campos: «Esse monumento é só de fachada e nada significa senão demagogia». 
- Alcindo Ribeiro: « O que é o 20.2 aniversário? É o mesmo que o 21.º e o 22.º»; «Quando eu fui estudante fui o único que não vestiu a farda da Mocidade Portuguesa». 
- Jorge Carvalho: «Menos uma viagem do Sr. Presidente a Macau chega e sobra para pagar o concurso de ideias».
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 26 de março de 1993