BRINCAR COM ESPINHO







"O oportunismo não tem limites. Esta é uma verdade adquirida que, dia a dia, é provada e comprovada nos mais variados sectores da vida. Agora, com data de 6 de Março deste ano, temos mais um triste exemplo do que atrás ficou dito — trata-se duma revista que tem por título «Terras da Nossa Terra» em número dedicado ao Concelho de Espinho. Publicando-se no Porto e contando com um corpo redactorial composto por ilustres desconhecidos, semelhante publicação (posta à venda pela quantia de 200$00, nada mais é do que a cópia, ipsis-verbis de retalhos da Monografia de Espinho, de Álvaro Pereira, e do Boletim Cultural editado pela CME. As próprias gravuras, na sua amaioria são tiradas das citadas publicações com excepção de duas ou três, tiradas à pressa por um fotógrafo(?) que cá veio em manhã de nevoeiro, bateu meia dúzia de bonecos e... foi-se à vida.

Estranho é que a Câmara Municipal de Espinho, a Junta de Freguesia da cidade e a Associação Comercial tenham pago espaços publicitários na dita Revista. Se calhar foi uma aposta no escuro sem saber ainda o lindo serviço que ia sair...

Depois da fraude dos postais com vistas de Espinho e com legenda a dizer que se tratava da Póvoa de Varzim, só cá faltava esta «Terras da Nossa Terra» toda pintadinha de verde. Lá diz a Bíblia que há pessoas que por fora são todas acúcar mas por dentro são amargas como fel. Tal e qual como esta Revista, produto acabado do oportunismo e da mais descarada ignorância. Se o leitor tiver duzentos paus a mais compre pirolitos, cervejas, jogue no totoloto ou na Lotaria Popular. Faça tudo menos ser aldrabado por esta «Terras da Nossa Terra»."

Nuno Barbosa
Espinho Vareiro, 20 de março de 1987.