Eu corrupto me confesso
Das vergonhas cometidas;
foi dinheiro em excesso:
Cabritos de alto preço
E bacalhaus sem medida!
Tudo isto recebi,
Mais principescos almoços,
De borla sempre comi,
Por arranjar «fretes grossos»»
(De cartola e de fraque);
Ganhei um apartamento.
Um pó pó... e sem um «baque»
De consciência — um «achaque»
Que entre muitos, não sustento.
Hoje que tudo passou (? ! ...)
Sinto-me um tanto surpreso
Como é que ainda estou
Solto... e nunca fui preso!
Devo à minha boa estrela
A dita que me acompanha
E espero sempre tê-la
— Apesar da minha manha...
Graças à sorte tão rara
Dos sem vergonha na cara !
Poeta Acácio
A VASSOURA (107)
Espinho Vareiro, 14 de março de 1986