GEMINAÇÃO COM BRUNOY?


Vitó quer fazer a geminação de Espinho com Brunoy, cidade francesa do interior, uns 20 kilómetros a sudeste de Paris.

— Vem no mapa, vem no mapa, —justificou o presidente na Assembleia Municipal quando lhe perguntaram onde ficava Brunoy. A argumentação foi inconsistente e desconfia-se que talvez a sede da Japac esteja lá, ou, ainda, que habite por lá alguma beldade com a mesma pinta das nossas garinas. Isto de geminar Espinho com outra cidade da estranja tem que ser coisa séria. A outra cidade deve ter o traçado de ruas perpendiculares, um casino, mar com coleiformes, pesca de arrasto, o comboio a passar-lhe pelo meio, uma piscina para ir abaixo, um dormideira, um cacique numa freguesia, um buracão no orçamento, um campo de aviação e uma carreira de tiro dentro dos limites. Pode ser Biarritz (que até tem talassoterapia), Nice, S. Tropez (da Bardot) ou Montpellier. Mas Brunoy não. Não temos nada contra Brunoy e até pode ser onde a Japac tem sede ou alguma piscina já feita, mas a Câmara se quer amizade com tal cidade que não venha com a geminação porque não há nada de gémeo na piada. Se é manotra de diversão para o Notícias trazer, isso já se compreende.
A VASSOURA (243)
Espinho Vareiro, 20 de março de 1992.