Não estão a correr bem para a Câmara os ventos que sopram. Contribui para isso a habitual prática presidencial arrapazada, à moda antiga, no que concerne a poder unilateral, usada para resolver os casos que competem ao Executivo no seu conjunt
o. Os grandes anseios do concelho continuam congelados por consenso estratégico dos autarcas já a pensarem em futuras eleições ou em favores de ocasião.
o. Os grandes anseios do concelho continuam congelados por consenso estratégico dos autarcas já a pensarem em futuras eleições ou em favores de ocasião.
Como era de prever, o comportamento do presidente da Câmara, «Lito» Almeida, é aquilo que se esperava à partida: um «gancho» para ostentação de penacho e maneira de querer ser grande ante os seus conterrâneos.
Isto para além de ter a facilidade de reforçar a sua frustrada condição de espinhense esquecido, de médico herdeiro de um nome impoluto e considerado, e de empresário mais que amador...
O presidente da Câmara que temos é resultado da negativa de quase duas dezenas de personalidades que não quiseram arrostar com a candidatura eleitoral para a cadeira do município, declinando o convite feito pelo seu partido. Eleito depois de distribuir sabonetes e outros brindes populistas e futebolísticos, o Sr. Almeida cedo desgostou o seu eleitorado e todos os epinhenses com a sua já escandalosa ausência do Dómus Municipalis, a sua vivência nocturna e o seu ostensivo desprezo pelas regras democrato-institucionais.
Curiosamente, ou talvez não, tanto o partido a que pertence como um vereador do PS (a quem beneficiou com o cargo de vereador a tempo inteiro) lhe dão cobertura nas suas já famigeradas atitudes públicas unilaterais: não ligar à administração dos Serviços Municipalizados, assinar uma acta para facilitar a prorrogação da zona do jogo, autorizar a ocupação do balneário marinho para fins de diversão, contratar pessoal eventual, a seu gosto, não cumprir recornendações da Assembleia Municipal, promover a construção da bancada ilegalmente, etc.. etc.
Mas cada povo tem o presidente da Câmara que merece.
Ë o que se pode apelidar de empertigado mandante.
Espinho Vareiro, 18 de março de 1988