Há aproximadamente 50 anos que a CP alimenta um projecto de quadriplicar a via férrea entre Porto e Aveiro. Neste projecto as duas centrais ficarão para comboios de alta velocidade e as duas linhas laterais para tráfego Inter-cidades. O processo entrou em nova fase de desenvolvimento com a nova ponte ferroviária sobre o rio Douro, o que veio dar uma nova força ao projecto.
Nos últimos quatro, cinco anos, a CP conseguiu afectar as áreas necessárias para quadriplicar a linha férrea, estando já publicada a declaração de utilidade pública dessas áreas no troço Aveiro- Porto. Entretanto em Espinho o problema tem sido difícil de resolver. Inicialmente a CP apresentou dois projectos: localizar a nova estação de caminho de ferro a sul de Espinho, o que iria liquidar praticamente grande parte da zona industrial; ou fazer uma estação conjunta com o Vale do Vouga. Essas hipóteses tiveram o seguinte tratamento: a Câmara Municipal de Espinho, por se tratar de um problema de âmbito concelhio, submeteu-as ao parecer da repartição técnica, depois ao parecer da Junta de Freguesia e finalmente ao parecer da Assembleia Municipal. Todos os pareceres, quer técnicos quer políticos foram desfavoráveis ao referido projecto na medida em que nas previsões da Câmara a localização deveria ser o mais central possível, naturalmente para ser mais funcional.
Em face dessa reprovação, a CP foi convidada a descobrir nova hipótese. Assim, inesperadamente, apareceu a hipótese de uma estação subterrânea, localizada no quarteirão onde existia a antiga sede do Partido Social-Democrata, propriedade do considerado industrial Manuel de Oliveira Violas, resultante de uma reunião Informal com o presidente da edilidade e os responsáveis dos serviços técnicos e consequente pedido por escrito, que não se fez esperar. Só que em meados de Agosto do ano passado, quando a vereação teve conhecimento da proposta da CP, surgiu um projecto já corrigido de um imóvel do proprietário do quarteirão, tendo em serviços técnicos da Câmara chamado a atenção de que já havia uma proposta que iria colidir com essa pretensão e que, portanto, as duas questões deveriam ser analisadas simulaneamento.
Numa primeira reunião, projecto e proposta foram retirados da Câmara porque o presidente da edilidade estava ausente, o que, no mínimo, não deixa de ser um tanto suspeito, na medida em que durante meses, nem o projecto do Manuel Violas, nem a terceira proposta da CP foram presentes a uma reunião da Câmara.
Um dos vereadores, que desde o início do projecto CP-Espinho tem acompanhado minuciosamente o desenrolar deste contencioso, declarou aguardar que o processo seja devidamente analisado dentro das seguintes condicionantes: «dar às propostas da CP exactamente o mesmo tratamento que tiveram as outras, que sejam analisadas pelos serviços técnicos e pela Câmara, e que sejam apreciadas pela Junta de Freguesia e Assembleia Municipal. «Se depois disso a proposta da CP merecer aprovação não haverá a mínima dúvida em viabilizar a construção que está prevista para o local. Se assim não for, entre uma pretensão de âmbito particular e uma pretensāo de âmbito regional e até nacional , não haverá a mínima dúvida em ser-se a favor do projecto de cmbito nacional. «O Comércio do Porto» 27/3/85.
Espinho Vareiro, 22 de março de 1985