De um estudo mandado elaborar pela Câmara da Feira sobre o estado das águas subterrâneas no seu concelho, concluiu-se rue mais de 80 por cento da população escolar consumia água imprópria ou suspeita e que apenas 36,74 por cento dos fontenários públicos debitavam água potável. Alertados os poderes públicos centrais para esta situação de « calamidade pública», como a classificou o Ministro da Qualidade de Vida, Dr. Sousa Tavares espera aquela Câmara que o governo inter iha o mais rápido possível para suster o envenenamento progressivo da população. Sabe-se que o Conselho da Feira é a zona da maior concenl tração da indústria corticeira do mundo, e que na lavagem das rolhas utiliza o ácido oxálico, produto químico altamente venenoso. Se se juntar ao ácido oxálico da indústria corticeira, o crómio e o zinco e o arsénio da indústria metalomecânica e ainda os subprodutos utilizados na produção de embalagens de cartão e papel, então teremos um arsenal completo para envenenar em muito pouco tempo toda uma população. É que todos estes resíduos poluentes são lançados ou em fossas ou em lençóis de água ou mesmo nos ribeiros que correm daquele concelho para o mar.
Daquele concelho chegam aqui, ao nosso concelho e desaguam na nossa costa, os rios de Silvalde e de Paramos, que pela cor que apresentam as suas águas se encontram altamente poluídas por aqueles produtos, pondo em sérios riscos a saúde Pública.
Lembremo-nos, por exemplo, que ali na Ribeira de Silvalde, junto ao Bairro Piscatório, a população daquela zona lava ali as suas roupas e que o rio de Paramos tem poluido em alta escala a Lagoa e a Barrinha que se não forem urgentemente defendidas, transformar-se ão em pântanos venenosos e focos das mais graves doenças e moléstias.
Perante esta situação de gravidade é necessário e urgente que juntemos a nossa voz à voz alarmada da Feira para que o governo publique um instrumento legal que obrigue as empresas Industriais a instalar nas suas fábricas infra-estruturas de tratamento de resíduos poluentes provenientes da sua produção.
Doutra maneira continuar-se-á a assistir tragicamente ao envenenamento da população com consequéncias imprevisíveis.
Francisco Azevedfo Brandão
Espinho Vareiro, 8 de março de 1985