OS SETE MAGNÍFICOS


Eram sete magníficos. Um era dama.
Quatro agarraram-se bem à túmida mama
Com quantas forcas tinham nas unhas e dentes. 
As voltinhas nos Volvos eram frequentes, 
Chegavam ao emprego por volta do meio dia, 
Porque chegar cedo ninguém podia, 
E todos faziam aquilo por Espinho... 
Depois do almoço voltavam ao ninho 
Lá pelas tês horas, a esmoer a comezaina, 
Alapavam-se nos cadeirões e iniciavam a faina. 
Para ajudar a trabalho tão rotineiro, 
De queimar bem o tempo e o dinheiro, 
Contrataram uma legião de afilhados 
Desde animadores até a assessorados. 
Com tanta boa vida e mesa farta, 
A quem apetece ir pr'ó raio que o parta? 
A ninguém! Então toca a dar umas passeatas 
Pela estranja, com ar e jeito de taratas, 
Conhecer novas terras novas gentes, 
Antes de voltar para o balcão aviar lentes. 
A Câmara ficar empenhada, que importa? 
Quem vier atrás que feche a porta.
Poeta Acácio
A VASSOURA (269)
Espinho Vareiro, 26 de março de 1993