Os projectos da Edilidade espinhense para construir o Parque do Campismo de Sales e o Parque da Cidade estão congelados por despachos ministeriais resultantes de recursos interpostos para o STA por Manuel de Oliveira Vioias, conhecido industrial espinhen,se, proprietário de algumas das parcelas existentes dentro do perímetro da zona verde onde os parques se situam.
O primeiro resultou da interferência do Secretário de Estado do Turismo, Nandim de Carvalho, e o segundo de idêntica atitude do ministro dos Transportes, Habitação e Obras Públicas, Viana Batista. Ambos já tinham tido despachos favoráveis destes membros do Governo, agora revogados por via do parecer judicial e do recurso respectivo.
Tanto num como noutro caso a Câmara já investiu milhares de contos em compra de terrenos e terraplanagens e projectos, e o congelamento do prosseguimento das obras constitui, obviamente, um grave prejuízo para as finanças do município. Por outro lado, o arranque do projectado Estádio Municipal está irremediavelmente comprometido para os tempos mais próximos, o que se traduz em prejuízos para o desporto local, considerando a necessidade que o Sp. de Espinho tem em dispor de um relvado para disputar a próxima época do campeonato nacional do futebol da primeira divisão. Os recursos de Manuel Violas são por causa de meia dúzia de parcelas de terreno de mato, situados em área aprovada no plano de urbanização director da cidade desde 1973, e que os diversos órgãos do poder local deliberaram aproveitar para a criação de infraestruturas sócio-desportivas integradas nas zonas verdes respectivas.
Na sua reunião de 18 do corrente, a Câmara deliberou solicitar ao Ministro Viana Batista quais as razões que o levaram a tomar tal decisão, considerando que o parecer da auditoria jurídica do ministério é favorável à manutenção do despacho proferido pelo ministro em 6/11/81, e no qual era concedida a utilidade pública urgente e posse administrativa dos terrenos à Câmara. Na moção aprovada refere-se que já em 6 de Abril de 1981 a Câmara oficiara ao ministro Viana Batista solicitando a declaração de utilidade pública e posse administrativa «dada a necessidade de se iniciarem as obras o mais urgente possível, pois vários proprietários acordaram já com a Câmara na cedência amigável dos seus terrenos e encontrando-se já em estado adiantado os estudos e projectos necessários ao início dos trabalhos...».
Enfim, uma tristeza...
Espinho Vareiro, 26 de março de 1982