A HERANÇA DA SOLVERDE
A firma Espitur — Turismo de Espinho Limitada, nova concessionária do Parque de Campismo Municipal por ter vencido o concurso público realizado há cerca de um mês - , manifestou à Câmara, por escrito, a sua «desolação pelo estada depauperado e lamentável em que o Parque se encontra».
Tal manifestação foi verificada depois de a firma ter feito uma inspecção ao Parque no dia 8 do corrente, em companhia do versátil vereador Rolando Sousa.
A carta refere para além de deficiéncias menores:
a) Toda a vedação necessita de urgente revisão havendo mesmo algumas partes que terão que ser integralmente substituídas, porque estão apodrecidas.
b) Todo o Parque está por limpar, havendo zonas em que o mato cresceu de forma selvagem e abundante. c) Todos os depósitos de lixo distribuídos pelo Parque estão estragados ou partidos, necessitando de substituição e/ou reparação.
d) Todo o sistema de saneamento e distribuição de água e luz interno precisa de ser revisto, ignorando-se se funciona.
e) Revisão da piscina e pviamento circundante, bem como das infra-estruturas de apoio (bombas e filtros).
f) Limpeza do rio, e colocação a montante do Parque, de rede de protecção.
g) Limpeza ou aterro dos tanques de rega lá existentes, que estão atolhados de lixo e águas sujas.
h) Drenagem da «ribeira da mina».
i) Pintura geral dos postes, gradeamentos e tubos.
j) Revisão geral dos blocos sanitários, que não nos foi possível visitar.
Também o interior do edifício principal do Parque exige as seguintes beneficiações:
a) Necessita de uma pintura geral exterior e interior, após enchimento das fendas existentes.
b) Revisão de todo o equipamento de apoio (máquina registadora, máq. de café, balcão frigorífico, equipamentos do (minimercado e mobiliário), dado que o aspecto do lá existente permite dúvidas quanto ao seu estado.
Recorde-se que Rolando Sousa foi o vereador que representou a Câmara no auto de recepção e quem elaborou o regulamento do concurso público, onde constava que o Parque se encontrava «em condições de bom funcionamento».
Rolando desculpou-se perante os seus pares na reunião de segunda-feira última afirmando que o inspector da Inspeaccão Geral de Jogos presente ao auto lhe garantiu que a Solverde proprietária do Parque, «iria mandar proceder às indispensáveis obras de arranjo».
A ser aceitável a exigência legítima da Espitur, quem é que vai proceder aos indispensáveis arranjos? A Câmara, a Solverde ou o Conselho de Inspecção de Jogos?
E qual é o papel do sr. Rolando Sousa no meio disto tudo, pese embora a sua imunidade a notícias verdadeiras veiculadas pela Imprensa?
Apesar de tudo já se propõem fazer todos os arranjos enunciados desde que lhe prorroguem os prazos de exploração!
Não é de estranhar que a Solverde, auto confessada defensora dos interesses esipinhnenses, tenha entregue o Parque em tão deploráveis condições?
Espinho Vareiro, 17 de março de 1989