TASCA PIROLITO (27)

Foto: EV, 5 de janeiro de 1996

Não, não vou falar sobre o Dia da Árvore que, em princípio, foi 2ª feira passada, 21 de Março. Também não vou falar dos milhares de árvores que milhares de crianças pensaram, por sugestão de professores, plantar por todo o lado. Elas ficaram esquecidas em planos de actividades sorridentemente aprovados e tacitamente esquecidas por todos. É que, 20 anos após o 25 de Abril, parece ser complicado e de significado duvidoso pegar numa enxada, abrir uma cova e plantar uma árvore. 
Também não vou falar das árvores que a Câmara deveria ter plantado e não plantou. Nem simbolicamente. Que eu saiba, ninguém se lembrou. Aliás a ideia parece ter-se esgotado mesmo antes de alguma vez ter sido eficazmente posta em prática. Adiante, que o papel onde escrevo estas banalidades em breve será reciclado. 
Há uma moda que há um ano chegou a estas praias. Lá fora é conhecida por sindroma de Bambi. Não é nada de esquisito. São aqueles jeepinhos de várias formas, de vários tamanhos e de várias cores, conduzidos por jovens despreocupados e encartados por não menos despreocupados pais e instituições de condução. É vê-los, símbolos do sucesso, galgar estradas, avançar sobre passadeiras cheias de gente, os peões que se afastem que quem manda aqui é o Bambi, estacionar sobre passeios, sempre com a cumplicidade do papá, que a gasolina super dá mais potência que a sem chumbo, que isso de chumbo é como a virilidade, quanto mais melhor. Por isso, é vê-los galgar por cima destas praias e destas dunas, mostrando a virilidade de jeeps que nem sequer são europeus. A passividade das instituições é sinal de progresso e factor de atracção de turismo. Dir-se-ia que os bambis descobriram a pólvora. Eu gosto muito deles. Quanto mais passados e estampados, melhor. Até já fizeram sucesso no Texas. Perguntem ao Zé.

Speakeasy Jones
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 25 de março de 1994