"Ele é conhecido como «o rei do Gerês», pelas vastas propriedades que a sua família possui nesta zona serrana. Mas tem o coração mais ao sul, em Espinho, onde preside à Câmara e é dirigente do clube local. Um destes dias, agastado com um abaixo-assinado que puseram a circular contra si, por ter permitido a construção de uma bancada clandestina no estádio do Sporting de Espinho, desabafava : «O documento não me merece grande crédito». E especificava: «Afinal, só foi subscrito por 10 pessoas e por 13 mulheres».
Imagine-se como irão reagir as feministas, sobretudo nesta semana em que se comemorou o Ano Internacional da Mulher. Nem o irresistível charme deste simpático boémio nortenho lhe valerá. Pelo sim, pelo não, Lito Gomes de Almeida já legalizou na Câmara a obra. E, para calar definitivamente algumas bocas mais críticas — ou simplesmente para não as aturar mais—, promete uma redistribuição de pelouros na vereação de Espinho, onde só há «'pessoas» e nenhuma mulher." (in « Expresso» de 12-3-88)
Espinho Vareiro, 18 de março de 1988