A capitulação inglória do Executivo comandado pelo sr. Lito Almeida no caso da dívida à EDP vem confirmar a leviandade com que são exercidos alguns dos cargos públicos deste mandato autárquico já de triste memória.
E nisto não há a menor tentativa de empolamento da questão. Senão veja-se:
Os Executivos anteriores negociaram o pagamento da dívida e cumpriram o compromisso, pagando as prestações acordadas. O actual elenco preferiu pôr a render no banco o dinheiro, como se pode verificar pelas contas que noutro local local publicamos.
Politicamente poderá existir uma habilidade concentrada dos autarcas do PSD que ressalta da existência de dois autarcas deste partido no Conselho de Administração dos S. M., um dos quais inoperativo «por ser frustante estar presente nas reuniões». E, como é sabido, o vereador Jorge Monteiro (PS) abandonou o cargo de vogal há dois anos por discordar do poder ditatorial do outro vogal Valdemar Ribeiro mandatado pelo presidente para o representar.
Neste ridículo quadro os outros vereadores continuam a deixar correr o marfim e há duas semanas o versátil Rolando Sousa aceitou fazer parte do Conselho ocupando o lugar do seu colega de partido demissionário Jorge Monteiro, numa inconcebível «aliança» com o presidente e num claro afrontamento ao seu camarada partidário. E impõe-se, desde já, deixar no ar a pergunta: — Qual vai ser o papel deste «especialista» no Conselho da Administração dos S.M.?
Brevemente a Assembleia Municipal em funções vai ter que ratificar o acordo inglório do Executivo e será curioso verificar qual vai ser a posição dos partidos ali representados já que por unanimidade, e há alguns anos, os seus vogais deliberaram não aceitar o aumento das tarifas decreatadas pelo Governo, numa clara atitude demagógica orientada partidariamente. E alguns ainda lá estão...
Entretanto, com o lucro da exploração no final de 1987, a Câmara só mandou iluminar generosamente a avenida 8 na área do picadeiro e sob a bancada ilegal do campo de futebol, o prédio da rua 8 entre as ruas 25 e 27 e os largos das igrejas das freguesias do concelho. Lucro que, entenda-se, é dinheiro da EDP. E não consta que as Câmaras anteriores tivessem feito obras com o dinheiro da EDP, nem que se fizessem sem existir Conselho de Administração.
Mas com tão grande lucro e tão «acertada» administração, porque é que a Câmara não actualiza as tarifas como a E'DP vai actualizar, paga o que deve a prazo e mantém o controlo do seu património?
Ao fim e ao cabo, e como Valdemar Ribeiro já afirmou publicamente e sem margem para dúvidas, existe dinheiro para pagar o calote. Ele lá sabe onde,..
Espinho Vareiro, 15 de abril de 1988