POR CAUSA DO RECURSO DO VIOLAS O ESPINHO PODE BAIXAR À 2ª DIVISÃO
Começam a desenhar-se mais nitidamente as consequências que podem advir da não construção do Estádio Municipal, impedida por o Ministro Viana Batista ter retirado a urgência à expropriação dos terrenos do Parque da Cidade que não estão negociados com a Câmara. O relvado do Estádio devia ser semeado, o mais tardar, por todo o corrente mês de Abril, e a Câmara podia (e pode) fazê-lo se não tivesse sido revogado o referido despacho, revogação que é consequência do sócio benemérito do Sporting Clube de Espinho, Manuel de Oliveira Violas, ter interposto recurso do primeiro despacho do Ministro para o Supremo Tribunal Administrativo, juntamente com a mulher e ainda Vitória Amorim Laranjeira, outra proprietária de uns metros quadrados de pinhal e mato, situados na área do Parque.
Se o Ministro Viana Batista não fizer marcha atrás com a revogação, o Sp. de Espinho ver-se-á a braços com um tenebroso problema, porque:
1 — A manter-se na 1.' Divisão, e tudo indica que sim, tem que jogar na próxima época em campo relvado.
2— Como o Estádio Municipal está comprometido (para já) o Espinho poderia pensar em relvar o Campo da Avenida. Mas, para o fazer, teria que gastar muito perto de seis mii contos, o que não tem. Por outro lado, o terreno do Campo da Avenida não é conveniente para relvar em virtude de ter o sistema de escoamento das águas pluviais deficiente e estar muito perto do mar, o que é mau para a manutenção do relvado.
3 -- A ter que jogar em relvado, o Espinho terá que se deslocar, quando houver vaga, a S. João da Madeira, ou Leixões, ou Boavista, etc.. Aí, os sócios dos clubes terão entrada gratuita e a assistência do Espinho já não se deslocará facilmente a acompanhar a equipa, o que implicará gravíssimos resultados financeiros.
Em consequência, o Espinho mergulha na 2ª Divisão por desastre financeiro. Ou então, como não dispõe de campo relvado, desiste do Campeonato Nacional da 1 Divisão e joga na 2' Divisão.
E tudo por causa do recurso do sócio benemérito do Sporting Clube de Espinho, Manuel de Oliveira Violas, que cismou que o Estádio não será feito em cima dos seus terrenos de pinhal e mato, mas sim nos terrenos dos outros...
Espinho Vareiro, 2 de abril de 1982