ONDE ESTÁ A FRATERNIDADE?
A Assembleia Municipal reuniu no 25 de Abril ao fim da tarde para celebrar o 21º aniversário da Revolução dos Cravos. Depois das comunicações dos cinco lideres partidários, o grupo etnográfico « Serões na Eira» interpretou algumas modas populares, rematando com «Grândola», este ano cantada de pé...
Correia de Araújo (PP) continuou tão crítico como em 1994: o PSD andou muito mais preocupado a reciclar conceitos como sulista, elitista e liberal do que a inventar soluções para o desemprego. Simples, directo e com alguma poesia, Jorge Carvalho (CDU) citou Almeida Garrett sobre «quanto custa um rico», parodiando assim a política dos sucessivos governos de Cavaco Silva que mais não têm feito do que subverter os verdadeiros valores humanos. A sua crítica não poupou o PS que, segundo aquele vogal, já perdeu a chave da gaveta onde Mário Soares em tempos tinha metido o socialismo.
Gomes (PSN) fez a intervenção com menor carga política, preferindo fazer uma espécie de redacção sobre o 25 de Abril, utilizando citações de crianças de 11'e 12 anos sobre aquele acontecimento.
Doutoral e pretensamente pedagógico, Carlos Gaio (PS) acabaria por ser muito teórico e árido, se tivermos em conta que este dia costuma sercomemoradode umaforma festiva e expansiva.
Amadeu Morais (PSD) repetiu a já esgotada e oficializada cassette da tentativa de controlo absoluto do poder em 1974 por parte de forças partidárias que não mencionou, para concluir que só os governos de Cavaco Silva tinham libertado Portugal de uma imensa Torre de Babel. E, se Carlos Gaio tinha feito o discurso do poder local maioritariamente socialista, Amadeu Morais fez o discurso do poder central maioritariamente social-democrata. Só não percebemos a preocupação denunciada por Amadeu Morais no final do seu discurso: como é que os tempos podem ser difíceis depois de tantos investimentos, depois de tantas obras levadas a cabo pelos governos de Cavaco Silva?
«Por último, dou a palavra a mim próprio», disse José Azevedo (PS), Presidente da mesa, para encerrar a sessão apelando para a necessidade de manter viva na juventude a chama de Abril.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 28 de abril de 1995
