Cultura

CANTO DE ENCANTOS E DESENCANTOS


A Livramar vai ser palco do lançamento de "Canto de Encantos e Desencantos", livro de poemas de Antero Monteiro, numa cerimónia agendada para as 21.30 horas de 5 de Junho em que o autor será apresentado por António Regedor, Director da Biblioteca Municipal, e a obra merecerá a apreciação do já conhecido poeta Edgar Carneiro. 

Génese 

A ideia surgiu na sequência do concurso "O Tom da Palavra" organizado pela Câmara Municipal de Espinho. Antero Monteiro seleccionara três poemas, mas, perante o cancelamento do concurso por ausência de obras concorrentes suficientes para se organizarem em colectânea, decidiu avançar, em edição de autor, com poemas que rebuscou no fundo das suas gavetas e com outros que entretanto produziu. O plano geral da obra foi do autor, que contou com a montagem de Rui Malheiro, a ilustração de Carmo Sousa Pinto, a logística de Miguel Cardoso, e o estímulo constante dos Colegas da sua Escola. 

Processo 


Antero Monteiro confessa que só cria poesia quando está triste, e que o seu processo de escrita é sofrido, que escreve a partir de sentimentos reais, e que, por isso, prefere o verso branco à rima porque com esta se sente mais livre. A audição de música clássica, nomeadamente os Nocturnos de Chopin interpretados por Maria João Pires, a Sinfonia Incompleta de Schubert e o Adágio de. Albinoni, tem-no inspirado fortemente. 

Raízes 

Este gosto pela poesia começou muito cedo, quase no berço. O Pai lia muita poesia e consta que escrevia alguma. Emigrado na Venezuela, "as cartas que mandava eram autênticos poemas e ele próprio sempre achava que um dia eu havia de ser um escritor", diz Antero Monteiro. 
Em 1959, com 13 anos, publicou o seu primeiro poema na revista do seminário onde estudava e cedo teve de se confrontar com situações contraditórias: enquanto um dos Padres proibia-o de escrever poesia porque a criação literária lhe esgotava o tempo para o estudo, outro Padre incentivava-o a escrever, tendo para tal que se refugiar no pseudónimo de 'Carlos Dias'.
Daí para cá não tem parado. Reconhece que a influência dos clássicos como Camōes e Bocage é preponderante embora Antero de Quental, António Nobre e os latino-americanos Amado Nervo e Pablo Neruda lhe tenham impressionado bastante. 

Planos 

Antero Monteiro tem na manga alguma poesia infantil e um pequeno romance infanto-juvenil com a Escola Sá Couto por cenário. É que o poeta é também autor de manuais de Língua Portuguesa e professor naquela Escola. E ainda tem tempo para dirigir o jornal "Diálogo' publicado na sua terra natal, S. Paio de Oleiros.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 30de maio de 1997