A sua moral não serve para ninguém, disse José Fonseca a Bártolo
A cena passou-se na reunião da Câmara da última sexta-feira.
Tudo começou quando o vereador há pouco tempo em exercício (a substituír Valdemar Martins que abandonou há 3 meses) sacou dum projecto do Violas para o quarteirão das Bandeiras, num comprometido à vontade. Este facto é tanto mais estranho quanto ainda na última reunião da Câmara o mesmo passante vereador dizia não conhecer o processo do Parque da cidade.
Bártolo, enroladamente, interpelou os vereadores acerca do projecto e começou por Casal Ribeiro, que disse:
— É estranho aparecer aqui este projecto, que hoje, não é reunião para apreciar obras. Além do mais tinha ficado combinado fazer uma reunião exclusiva para apreciar o projecto da CP e entendo que enquanto não for definida a localização da estação é permaturo estar a apreciar este projecto. Por outro lado, penso que a localização da futura estação é demasiado importante. Deve consultar-se arquitectos espinhenses e a Associação Comercial de Espinho. A Câmara nunca anteriormente se tinha pronunciado sobre o assunto e já tinha rejeitado as anteriores soluções apresentadas pela c P e agora deve assumir-se e clarificar a situação.
Rolando Sousa afirmou concordar com Casal Ribeiro porque tinha estudado o processo o que seria conveniente a Câmara apreciar bem o assunto que contém dados novos.
Carvalho e Sá corroborou a intervenção do Rolando Sousa e acrescentou que em meados do ano findo a Câmara tinha consensualmente aprovado a maqueta dum prédio para aquele quarteirão (mais ou menos na mesma altura em que a CP tinha enviado à Câmara uma delegação para tratar da localizacao da futura estação...)
José Fonseca, interpelado em seguida, defendeu a sua proposta, acrescentando que não assinou a acta da reunião privada da Câmara com o proprietário Manuel Violas «porque tinha sido convocado para uma reunião com a CP e não para uma reunião alargada». E disse ainda que «os utentes dos comboios deveriam ter uma palavra a dizer, o plano de urbanização é omisso quanto à transferência da estação e que a Associação Municipal, o Conselho Municipal, Juntas de Freguesia e Associação Comercial deveriam emitir a sua opinião. Que na reunião com a CP tinha ficado claro que a nova estação ia ser objecto de estudo e que o sr. Bártolo afirmara que no prazo de 15 dias a Câmara emitia em parecer, o que não se verificou até agora».
O sr. Pereira Bártolo lamentou, atabalhoadamente, que o sr. Fonseca tivesse abandpnado a reunião sem ter dito a sua opinião e que não tinha a mínima ideia de proferir essas palavras, mas que a atitude mais digna tinha sido a de deixar na acta o que vem dizer depois.
José Fonseca ripostou afirmando: "Se isso é um comentário o senhor tem o direito de fazer os comentários que quiser. Se é um conselho, cuidado. A sua moral é que não serve para ninguém. Neguei-me a assinar a acta porque este processo não tem sido nada transparente. A CP apresentou uma proposta escrita em Agosto do ano passado e o senhor sonegou-a à Câmara, mais de três meses e depois disso continuou a sonegá-lo apesar de mais de uma vez ter sido por mim solicitado para o agendar para uma reunião. E sonegar não é meter o papel na gaveta. É retê-la sem a trazer à reunião. Até hoje ainda não foi presente."
Artur Bártolo, na sua relapsa e já gasta verborreia atrapalhada, começou a perguntar aos vereadores se tinha surripiado o processo, mas sem esperar resposta. Mas Casal Ribeiro acabaria por dizer que de facto não tinha tido conhecimento dele até que começou a haver certa efervescência acerca do assunto (deveria estar a referir-se à denúncia feita no «EV» ).
Bártolo continuou a dizer coisas sem nexo, interrompido por alguns vereadores, mas sem qualquer sentido, até que, muito «democraticamente» disse: «Acabou a discussão.» E ficou combinado haver reunião «privada» para terça feira, dia 30, às 18,30, para deliberar sobre este processo que ainda vai fazer correr muita tinta.
Espinho Vareiro, 3 de junho de 1985