TASCA PIROLITO (6)

O COURAÇADO OMERU


Justiça lhe seja feita. Ele é coerente. Meteu-se-lhe na cabeça que havia de pôr abaixo a Piscina para, no mesmo lugar, implantar um aqua splasch, e nada o detém. 
A Assembleia várias vezes tentou chamá-lo à razão. Em vão. Milhares de assinaturas apelando ao seu bom senso tiveram igual sina. Quais Davides, dois vereadores não se têm poupado em enfrentar o Golias. Um deles chegou a denunciar prepotências e outros desmandos a quem de direito. Deram-lhe razão recusando o visto para o contrato a celebrar entre a Câmara e os franceses para a destruição da Piscina. Apesar de tudo, ele prossegue a rota por ele traçada e que só ele conhece. Obstinada, obcecada, cegamente. 
Ele parece encouraçado por material tão resistente que até os escolhos, espertos e sabidos, mudam de rota para não se pulverizarem em choque com ele. Se os japoneses descobrem, é a nossa desgraça. Lá se vai a nossa patente, o lusitaníssimo, o vareiríssimo carboromeurânio. Ao pé dele, a Dona Arménia é uma estagiária. 
Claro que o couraçado não está só. Duas poderosas fragatas têm-no permanentemente acompanhado de perto na descoberta do caminho para a rápida destruição da Piscina. Em seu apoio têm estado disponíveis dois aviões, um de intervenção e outro de observação. Apesar de estudadas e atempadas, as suas acrobacias não têm feito surtir o efeito desejado, deixando, por vezes, a quadrilha à deriva. Para além disto, as vagas alterosas e o nevoeiro insistente têm-na colocado na iminência de abalroamento com outras flotilhas.
O Estado-Maior tem reunido com frequência para tentar locupletar tão inopinadas situações. A messiânica missão prossegue. Contra ventos, marés, escolhos e meteoritos. Não há astrolábios, bússolas e radares que lhe resistam. Se os japoneses descobrem ...
Speakeasy Jones
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 29 de maio de 1992