ODE À POMBINHA
Estava a Pombinha em sossego,
Das senhas colhendo o doce fruito
Quando vieram os cravos,
Flor de que não gosta muito...
«T'arrenego», disse ela,
«Tenho alerqia a tal flor»
E assim recusou a oferta,
Espirrando com pavor!
E aproveitando o balanço,
Bichanou para o Gugu:
«Ainda se fosse uma tulipa,
«Tão laranja como tu...!»
Ao recusar o seu cravo,
No vinte e cinco de Abril,
Pombinha mostrou o travo
De em Abril, ódios mil!
Mas se pensou que com isso
Marcava uma posição
Enganou-se a deputada,
Ficou-lhe mal a intenção!
E se, como tudo o prova,
Da AM sairá,
Ninguém no futuro, sequer,
Nem cardos lhe oferecerá!
POETASTRO
Espinho Vareiro, 7 de maio de 1993