CÂMARA CENTRALISTA
«A Câmara não faz nem deixa fazer», disse Jorge Alves na passada 3.° feira, 29 de Abril, na Assembleia de Freguesia de Anta, para criticar a prática centralizadora da actual Câmara. A manter-se aquela tendência, o papel da Junta cingir-se-ia à passagem de atestados e à recepção de queixas, continuou o vogal social-democrata. Uma prova era evidente durante 1996, a Câmara não transferira um tostão para a Freguesia. Foi este o tom da intervenção de Jorge Alves ao abordar a Conta de Gerência que, posta à votação, mereceu a unanimidade.
Problemas muitos
João Félíx respondeu depois, a diversas questões levantadas por vogais.
1. Há saneamento a escorrer por valetas na zona do Bairro do Violas. O saneamento existe mas a ligação não está feita. A Câmara queria que as pessoas pagassem primeiro para depois serem servidas. Mas as pessoas não foram nessa.
2. A estrada, ou acessibilidade como alguns lhe querem chamar, entre a Nave Desportiva e a Rua da Guimbra está complicada. Para o conseguir, a Câmara precisava de terrenos que eram propriedade da Junta de Anta. Só que avançou com as obras sem dar conhecimento à Junta. João Félíx queixou-se numa reunião da Assembleia Municipal e José Mota pediu desculpas públicas. Só que as palavras são baratas, e há gente a exigir desculpas por escrito, para que conste.
3. A Rua Nova da Guimbra (Esmojães) ficou degradada devido ao intenso trãnsito de camiões da obra da Nave Desportiva. Os moradores da zona simularam um corte de estrada e, perante eles, os vereadores Rolando de Sousa e Manuel Rocha, e o Eng.º Nogueira da Silva prometeram resolver a situação até ao fim de 1996. Já se passou meio ano e está tudo como dantes. Menos a paciência de alguns.
4. Complicada continua a construção da pré-primária de Esmojães. Foi aberto concurso, mas nenhuma construtora concorreu. Parece mentira, mas é verdade, num país em que muitos choram porque há desemprego.
5. A transferência do complexo desportivo de Cassufas para a Junta parece estar adiada. É que a Junta quer recebê-lo com os acessos, a vedação, a iluminação e as casas de banho em condições.
Clandestinos sem água
No período destinado ao público intervieram Carlos Rodrigues e Artur Teixeira. O primeiro para solicitar a ligação da «água da companhia» a 20 casas do Chão de Além, ao pé da Rua da Portela. João Félix foi dizendo que o pedido já tinha sido feito à Câmara e que lhe tinha sido respondido que não havia ligação para casas em situação ilegal, clandestinas. «Pois», ouvimos alguém ao pé de nós dizer entre dentes, «há clandestinos e clandestinos. Somos clandestinos e pagamos contribuição autárquica».
Artur Teixeira apresentou dois casos. Primeiro, os esgotos tinham sido colocados na Rua do Paço Velho e na Rua Dom Afonso há três anos mas a Câmara ainda não tinha instalado a bomba «para puxar a trampa». Conclusão, ninguém podia ligar os seus esgotos à rede existente. Depois, ainda não havia vidrões em Anta. Uma pena para quem queria colaborar com a reciclagem e a melhoria da higiene.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 9 de maio de 1997