Conflito aberto na Fábrica de Conservas


Cerca de cento e trinta operárias de fábrica de conservas pararam na última quarta-feira a labo ração como represália contra a falta de pagamento dos salários de Março e Abril. 
A empresa proprietária, Lopes da Cruz & C.ª, Lda., desde há dois lanos que vem a sofrer conflitos laborais por irresponsável trato no cumprimento das suas obrigações patronais, que se traduzem por incapacidade relapsa administrativa e pela falta de pagamento de salários e outras retribuições legais aos trabalhadores. Presentemente os suhsídíos de férias e de Natal e os retroactivos não estão e ser liquidados. 
O principal administrador, eng.° Lopes Amorim, tem vindo a prometer a satisfarão dos débitos da firma ao pessoal em prazos determinados, mas acaba sempre por não cumprir, ou cumprir parcialmente, alegando os mais variados motivos. 
As operárias descendentes da antiga classe piscatória de Espinho, são unânimes em afirmar que a presente situação lhes está a acarretar graves problemas de subssistência e que a entidade patronal não resolve a liquidação dos salários por premeditação, pois visa a dissolução da empresa, presentemente a trabalhar para outras firmas congéneres de Matosinhos. Esta afirmação pode ter consistência se considerarmos a tentativa da empresa feita há meses para vender o edifício fabril, que ocupa uma área elevada, para construção de edifícios turísticos, estudo que a Câmara rejeitou por legalmente não ser permitida a destruição de edifícios fabris. Entretanto, as operárias e seus familiares vão passando fome porque os legais patrões não cumprem, minimamente, as sua obrigações elementares, e o Sindicato não trata de assumir as responsabilidades que lhes compete. Um caso para dar que falar.

Espinho Vareiro, 14 de maio de 1982