Insólito

Pintura de 
Daniele Lunghini 

Na última sessão da Câmara, sexta-feira finda, foram apreciados 27 processos de obras particulares. Foram aprovados 4, indeferidos 7 e a restante maioria de 18 foi motivo de considerações técnicas correctivas a transmitir aos requerentes. 
Este insólito resultado camarário obriga a 3 conclusões. 
— Ou os requerentes «obrigam» os técnicos a elaborar projectos afrontosos das leis em vigor. 
— Ou os técnicos induziram os requerentes a afrontar a Lei a ver se «pegava». 
— Ou a Câmara politicamente não se aventura a contrariar pareceres técnicos. 
— Ora a Câmara continua a não ter uma política urbanística porque não manda elaborar o Plano Director do concelho. 
E aqui nós perguntamos: 
— Para que serve um presidente da Câmara a tempo inteiro? 
— Para que servem um vereador a tempo inteiro e dois vereadores a meio tempo? 
— Qual é a posição dos partidos que os propuseram ao eleitorado com um programa de projectos a reali zar. 
— Que posição deve tomar a Assembleia Municipal, orgão deliberativo e fiscalizador, há anos enxovalhado nos seus membros, quando o Executivo autárquico não acata as deliberações do Orgão político — administrativo que lhe é superior?

Espilnho Vareiro, 15 de maio de 1987