Sexta feira trágica para a classe piscatória espinhense. O barco «Santa Catarina» atravessou-se na zona de rebentação das ondas a cerca de setenta metros da praia e três pescadores acabaram por perder a vida. Tudo se passou em poucos instantes e quando os bombeiros, minutos depois chegaram, nem precisaram de ir procurar os corpos, já que os colegas os tinham trazido para o areal.
Pouco passava das 14h30 quando a companha regressava de lançar as redes. Na linha do extremo do esporão fronteiro ao bairro as ondas partiam, devido à proximidade do fundo, que a maré estava baixa. O barco chegado à rebentação atravessou-se. Três ondas médias foram o suficiente para inundar o barco e virá-lo. Os pescadores a bordo eram oito. Os cinco mais novos conseguiram salvarse sózinhos ou ajudados pelos camaradas de terra que prontamente foram em seu socorro. Os outros três não se aguentaram ou foram acometidos por congestão, já que tinham almoçado há pouco, e um ainda chegou vivo à praia a vomitar.
A tragédia consumara-se: Mário de Jesus Lapa, «Evaristo», de 54 anos, Joaquim Pinto Gonçalves, de 49 e Francisco da Silva Ferreira Neto, de 56 tinham sucumbido. Salvaram-se Manuel Pinto Gonçalves, de 45 anos, Alberto Pereira Ranso de 40 e António Manuel Marques de 29.
Os funerais só se realizaram segunda-feira devido às formalidades legais e foram custeados pela Câmara que subsidiou o Centro Social de Silvalde para o efeito.
Espinho Vareiro, 6 de maio de 1994