PROGRESSO, QUE FUTURO?


A Câmara deverá estar alerta para uma eventual especulação imobiliária do espaço ocupado pela fábrica «Progresso» na sequência da sua falência e consequente despedimento de 45 trabalhadores, apelou a Assembleia na sua reunião de 13 de Maio.

Tudo porque, segundo a moção da CDU, «o processo que conduziu ao encerramento da empresa foi iniciado há já alguns anos e pormenorizadamente delineado para conduzir ao desfecho que agora se concretiza: criação de uma nova empresa (a Sociedade de Esmaltagem e Fundição, Lda) sem que qualquer medida de gestão o justificasse; transferência dos trabalhadores para a nova empresa sem que fosse acompanhada da respectiva transferência de património; consequente diminuição dai garantias patrimoniais dos trabal' fia dores.» 
Por outras palavras, os trabalhadores foram despedidos e não poderão ir buscar indemnizações ao património da empresa uma vez que ela não o tem porque o terreno ficou «do outro lado». 
Este foi o ponto polémico por excelência e que, durante cerca de uma hora, manteve um animado ping-pong entre Amadeu Morais, Manuel Osório e até Gaioso Vaz (PSD) e Jorge Carvalho, Saudade Manso Preto (CDU) e Carlos Gaio (PS). Por outro lado, em menos de cinco minutos, todos se puseram de acordo relativamente ao lamento pelo encerramento da fábrica e à solidariedade para com 45 novos desempregados. 

Trânsito, que futuro? 

A postura de trânsito deverá ser revista urgentemente, diz uma recomendação da CDU aprovada por unanimidade. E que, como lembrou Jorge Carvalho, continua tudo como dantes, mesmo depois de uma recomendação idêntica do PSD ter sido aprovada, também por unanimidade, há alguns anos. 

Desburocratizar burocratizando 

Na senda da «desburocratização» iniciada pelo Executivo de Vitó, o PS fez aprovar uma recomendação no sentido da apresentação de projectos de modernização administrativa a serem financiados em 50% pela Administração Central «de forma a que os serviços municipais estejam cada vez mais aptos a satisfazer as legítimas expectativas dos cidadãos».


As Capelinhas do Capitão

A primeira meia hora dos trabalhos desta Assembleia, - que já começara com mais de meia hora de atraso devido a um rea! e mui concreto problema de microfones, foi animada por um «debate» aparentemente inútil, ridículo e, quiçá, infantil. 
Tudo começou com Amadeu Morais a forçar a entrada de um documento contestando o nome de SALGUEIRO MAIA, recentemente atribuído ao largo da urbanização do Souto, paroquialmente conheci- do pelo Largo das Capelinhas. E a questão prolongou-se, especialmente porque a CDU e o PS, embora considerando a questão destituída de qualquer prioridade, se prestaram a «dar cavaco» às insistências de Amadeu Morais.

O património erudito

Teixeira Lopes foi o primeiro interveniente no período destinado ao público. Durante cinco minutos defendeu a ideia de uma intervenção da Câmara, cuidada e articulada, em relação ao património arquitectónico de Espinho. 

O património popular 

José Oliveira foi o segundo interveniente. Com uma inusitada clareza e facilidade de expressão, manifestou-se desgostoso por ter visto perder-se imenso tempo a «discutir o sexo dos anjos». Problemas práticos e concretos eram o acidente que tivera há 18 meses por culpa de um «dumper da Câmara, indevidamente sinalisado. Problema real era a ponte de madeira sobre a Ri eira de Silvalde, sem qualquer protecção para as crianças. Problema real era o Bairro Piscatório em si, qual «unha do pé sujo da bela», com os contentores do lixo que nunca foram lavados ou desinfectados. José Oliveira concluia pedindo a colocação de uma placa de homenagem aos pescadores recentemente naufragados.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 20 de maio de 1994