Como prevíamos, não caiu em saco roto a peça publicada pelo «EV» de 12 de Fevereiro, referindo acusações da Delegação Regional da Indústria e Energia do Norte sobre a contaminação do solo por óleos usados da Gole-Auto. Esta escreveu-nos para, segundo ela, repôr a verdade dos factos. E anexou cópia de uma carta enviada àquele organismo. A única preocupação parece ser «a extemporaneidade da publicação», em primeira mão, pelo «EV».
É o seguinte o teor da carta enviada em 16.9.92 pela Gole-Auto à Delegação Regional da Indústria e Energia do Norte (DRIEN):
«Acusamos a recepção do Ofício n.º 00 9851, desse Organismo, datado de 24 de Agosto findo, cujo conteúdo tomamos a nota devida. Relativamente ao assunto, levamos ao conhecimento de V. Ex.a que esta firma não dispõe de estação de lavagem. Mais informamos que o óleo retirado das viaturas é recolhido para a aparadeira e, no caso de haver algum pingo, ele cairá na fossa hermética, pelo que não há lugar a descargas no solo de óleo usado. Todavia e com o intuito de se encontrar a resolução desejada, encomendamos um estudo técnico àfirma Aquoluosa, que, por sua vez, e como resultado, concluíram não existir poluição de águas contaminadas com óleos e hidrocarbonetos. Ademais, e para uma melhor elucidação, informamos que as condutas das águas internas têm ligação com as águas pluviais.»
Uma extemporaneidade atempada
Sobre esta preciosíssima e mui esclarecedora elucidação apraz-nos tecer algumas, brevíssimas considerações:
1 — A Gole-Auto não deverá sentir-se perplexa pela « extemporaneidade da publicação», em primeira mão, pelo « EV» de 12.2.93. Deverá sim fazer chegar essa perplexidade ao Executivo camarário, que agendou e deliberou sobre o assunto na sua reunião ordinária de 3 de Fevereiro. Embora a Câmara tenha tido conhecimento das acusações da DRIEN através de um ofício com data de 28 de Agosto, não tivemos, na altura, acesso a ele, e não temos conhecimento de qualquer referência ao assunto por parte dos nossos colegas locais. Extemporaneidade parece, pois, ser algo relativo, dependendo muito dos casos, circunstâncias, implicados pontos de vista e critérios de selecção jornalística. Tem sido norma ao longo de quase 15 anos o «EV» escrever sobre tudo o que contribua para o desenvolvimento equilibrado de Espinho e das suas populações. Mesmo que alguns temas sejam considerados demasiado «quentes» e o seu tratamento apodado de «extemporâneo» por uma ou outra instituição visada.
2 — A carta da Gole-Auto à DRIEN apenas diz que os óleos retirados das viaturas são recolhidos em aparadeira. Todavia diz ter encomendado um estudo a uma firma especializada «com o intuito de se encontrar a resolução desejada». Que «resolução desejada» foi sugerida ou exigida pela DRIEN?
3 — A firma «dá o caso por encerrado». Mas não contradiz nem desmente as acusações contidas no ofício de 28.8.92 da DRIEN à Câmara: «Através de vistorias e acções subsequentes conclui-se que a empresa (...) tem cometido infracções (...) em virtude de estar a lançar no solo (...) óleos usados (...). A menos que as tais «infracções» verificadas em Agosto de 92 já não estejam a ser cometidas devido à intervenção atempada, que não extemporânea, da DRIEN. Se assim for, parabéns. Para bem do ambiente e da saúde pública.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 3 de maio de 1993