PROCESSOS DESONESTOS, CONDUZIDOS PELO SENHOR VIOLAS, PARA IMPEDIR A SUA CONCRETIZAÇÃO
Os órgãos autárquicos locais, legalmente representativos das populações que os elegeram, têm sido contestados pelo sr. Violas no processo da variante, por meios desonestos, inclusivé a tentativa de instrumentalizar altos responsáveis da Junta Autónoma de Estradas, afirmou-nos desassombradamente o Presidente da Câmara, José Carvalho da Fonseca
Reveste-se de particular gravidade a insistência com que o Sr. Manuel de Oliveira Violas procura, junto dos centros de decisão governativa, alterar, anular ou modificar, a seu jeito e proveito, os projectos que Espinho necessita realizar dentro do mais curto espaço de tempo possível e que têm ligação com expropriação de algumas das parcelas de terreno que ele e a família tem por toda a parte.
E a gravlidade reside nos meios desonestos que utiliza para atingir os seus fins: exposições e abaixo-assinados deturpados, em que as pessoas soligitadas a subscrever foram mal informadas e, até, veladamente ameaçadas; aliciamento de responsáveis políticos desprevenidos... Adiantou-nos o presidente da Câmara:
— Um conhecido empregado e homem de confiança do Sr. Violas, o Sr. Vasconcelos contactou, há cerca de 15 dias, vários elementos da Assembleia Municipal da Aliança Democrática, a deslocarem-se a Lisboa, à J.A.E., pois que os elementos da AD na Câmara também iam. Que o deputado pela AD Ângelo Correia, tinha marcado audiência com o presidente da J.A.E. e que se ia impugnar a passagem da variante à EN 109 pelo actual traçado da rua 32. Que jornalistas do semanário «Defesa de Espinho» (que o Violas controla) também iam cobrir os aconteci mentos.
E continuou José Fonseca: — Quando recebi a informação dum dos contactados telefonei ao deputado Ângelo Correia que, posto ao corrente do que se passava, negou tal atoarda, lamentando terem evocado o seu nome. Perante a informação do Ângelo Correia contactei novamente os vogais da AD aliciados pelo Sr. Vasconcelos, prevenindo-os da manobra baixa, e do escândalo que poderia estalar no caso de se colarem ao Sr. Violas que, ultimamente, se refere a mim junto dos responsáveis nacionais da Aliança Democrática como «antigo padre de esquerda e que de esquerda continuo a ser». Entendi que devia convidar os senhores Vereadores e a Repartição Técnica para nos deslocarmos à J.A.E. confirmar o que mé tinha sido dito em Janeiro e que, em devido tempo, comuniquei à Assembleia Municipal.
ATÉ QUANDO?
Há cerca de dois anos, cedendo a pressões do referido Violas, o ministro co Comércrie e Turismo Repolho Correia, anulou um despacho de utilidade pública para os terrenos do Parque de Campismo em Sales. Tempos depois, e provado o logro em que caiu, o ministro voltou a repor o despacho de utilidade pública.
O Sr. Presidente continuou: — A campanha eleitoral da Aliança Democrática também foi influenciada pelo Sr. Violas que prometeu mundos e fundos, de que se destacou pelo seu impacto, o célebre porto de pesca e bacalhau aos vareiro. Rodeado de meia dúzia de pequenos servos, que mais não querem que manter o magro sustento mensal, o Violas apostou toda a sua jogada na possível vassalagem que os eleitos da AD lhe viessem a prestar, fazendo-lhe os jeitos todos que ordenasse e que, na essência se resumiam aos casos essenciais: O Estádio Municipal, o Parque de Campismo de Sales e a Variante à EN 109. E isto porque alguns terrenos dele, e da família, estão lá para ser ex propriados.
E continuando: A sua promessa à Câmara que adiantava 50 mil contos (dele ou da Solverde?) para fazer o Estádio noutro local e se também o Parque de Campismo de Sales não fosse construído, é mais uma baixa chantagem que uma proposta indecente. Outro local para o Estádio significava outros munícipes a expropriar só porque o poderoso senhor embirrou e não queria que os seus terrenos fos sem expropriados! Claro que meia dúzia de interessados na mudança, porque também lá tém uns pinheiros e matos, fizeram o seu coro de vozearia ridícula e saloia, embalados pela esperteza e influência do cacique nos ministérios.
A variante à EN 109 vai passar em local que não «agrada» ao Sr. Violas e portanto, ele tem tentado a sua anulação pelos meios mais baixos. Esta manobra de aliciar os elementos da AD da Assembleia Municipal fez transbordar o copo. Imediatamente a Câmara, a proposta do presidente, pediu audiência urgente à Junta Autónoma cas Estradas que lhe foi marcada para o último dia 15. A Cãmara em peso e o Eng ° Pinto Correia da Secção Técnica, foram recebidos pelo brigadeiro engenheiro Ernesto Freire, Presidente; Vice--Presidente Eng. Leopoldo Gouveia e chefe da Repartição de Projectos, Eng. Leonel Pereira.
Ao contrário do boato poste a circular em Espinho, de que a variante já não se faria ali, o projecto está ultimado e foi entregue à Câmara que o trouxe para apreciação e posterior deliberação, que participará à JAE. O seu financiamento, conforme foi afirmado ao presidente José Fonseca, em Janeiro, também está garantido.
Disse-nos ainda, a propósito o Presidente da Câmara: — O Sr. brigadeiro Freire afirmou-nos que nunca houve qualquer traçado para a variante mais a nascente. Este actual projecto é facto consumado por ser o único aceitável em termos sócio-económicos para a região e para o país. A iniciação dum novo projecto para outro local demoraria uma dúzia de anos e isso representava estragar muito dinheiro, em virtude do trãnsito se continuar a fazer no péssimo troço de estrada existente entre Miramar e Maccda, com todas as demoras e perigos.
ACERTO DE PORMENORES
O argumento de que a via corta Espinho em duas partes é uma falsa questão. Espinho, aliás, só beneficiará com a inexistõncáa de cruzameutos, com todos os inconvenientes de passagens de peões, paragem e arranque de veículos, etc., etc.
As actuais vias de acesso para nascente manter-se-ão. São elas as ruas 62, 19, 23, 33 e estrada dos Outeiros em Silvalce. Se futuramente se justificar outras elas poderão ser construídas.
No projecto existem, todavia, pormenores técnicos que estão a merecer cuidadoso estudo por parte do arquitecto urbanista e do Engenheiro Pinto Correia, da Secção Técnica. Trata-se dos nós de acesso, a norte e sul, do per fil da faixas de rodagem, taludes laterais e desnível das ruas 19 e 33. Depois de enviado o parecer, garantiu o brigadeiro Almei da Freire, o projecto irá a despecho do ministro. Só que, igual promessa já fez o brigadeiro em Novembro de 1978! E a promessa não foi cumprida.
O PODER PARALELO
As atitudes que o Sr. Violas toma, na qualicade individual, contra os órgãos representativos da população é o que se chama de poder paralelo. Que o Sr. Violas, no tempo da outra senhora fosse tido e achado para dar o seu semi-analfabeto parecer entende-se. Pois se ele até escrevia à PIDE para vir buscar a «seita» (os pacres de Espirho) do D. António, Bispo do Porto e a pôr na fronteira.
Agora que ministros de governos arvorados democráticos atendam o Sr. Violas nas suas pessoalissimas e interesseiras «soluções» bairristas, é inacreditável! E perigoso. Porque poderá admitir-se que há suborno por trás duma resolução que vá a favor dos interesses do Violas. Que afinal, é um indivíduo natural do Brasil, residente em Espinho, onde fez fortuna, e que pensa que pode brincar com uma cidade, que é o mesmo que dizer com os eleitos pela população de Espirho, que não são propriamente a mesma coisa que alguns dos seus funcionários nas indústrias de guitas e do jogo ...
Impõe-se uma firme posição do poder local junto do poder central repudiando «tutelas» e manobras potenciais tendentes a prejudicar os interesses dos verdadeiros espinhenses.
João Quinta,
Espinho Vareiro, 23 de maiode 1980