QUEM NÃO TEM DINHEIRO...
Numa mansa cidade bananeira ibérica,Tão distante do mar como da América,Apareceram um dia uns gauleses maquinistas,Daqueles que no conto do vigário são artistas.Que se dispuseram a fazer uma piscina.Para ser utilizada só por gente fina.Os vivaços oportunistas deram a golpadaCom arte e de maneira bem planeada.Abordaram o Dormideira sem vergonha.Por ter ar de quem se mete na maconha,E mais um da sua laia para, em segredo,Os convencer a um negócio de meter medo,Demolir a Piscina antiga sem cerimóniaE em seu lugar construir outra para a parvóniaNo valor de um bom par de milhões.Claro que em tanta massa sobram sempre uns tostões.Que dão p'ra viver descansado o resto da vidaA ganhar colestrol, tensão alta ou sida,Ter bons automóveis e belas fatiotasA barba sempre feita e o cabelo sem catotas.Enfim vida farta como os comendadoresConscientes de serem apontados como estuporesMas sempre com o ar altivo e arroganteQue regime qualquer bem conceituado bastante.A coisa foi andando com alegriaAté que ficou claro como o diaQue havia mouro na costa e falta de dinheiroP'ra tapar tão profundo atoleiro.O Povo adormecido acordou e, num repente,Berrou NÃO. Assustada, a serpenteDo mal, uma bicha de sete cabeçasRecuou. O megalómano projecto não podiaSeguir p'ra frente. Toda a gente sabiaQue perante tão grandes malefíciosQuem não tem dinheiro não tem vícios.POETA ACÁCIO
A Vassoura (225)
Espinho Vareiro, 28 de junho de 1991