Assembleia de Freguesia de Silvalde

Fossas para a rua 

As fossas domésticas e a sua ligação à rede de saneamento foi o assunto forte da AF de Silvalde de 24 de Junho passado. 

Havia grande indignação e ninguém compreendia como era possível obrigar-se a pagar 180$00 pela taxa de um saneamento concluído há dois anos mas sem se ter feito a ligação daquelas fossas à rede de saneamento. Os ânimos exaltaram-se e houve quem garantisse que se tratava de «má administração, por culpa de alguém que tem enchido os bolsos à custa da ETAR», e que a melhor maneira de rapidamente resolver o problema era abrir as fossas para a rua para que o cheiro chegasse à Câmara e esta fizesse qualquer coisa. 

Conta-gotas 

A situação financeira da JF encontra-se por um fio, revelou Abel Gonçalves. A Junta tem estado a receber 10% do FEF (Fundo de Equipamento Financeiro), cerca de 590 contos, quando precisa de despender, no mínimo, cerca de 700 contos por mês. Daí que o Presidente da JF de Silvalde conte os dias que faltam para ver o Piano de Actividades e Orçamento da Câmara aprovados pela Assembleia Municipal que só anteontem iniciou a sua 3ª sessão ordinária. 

Ponte reforçada 

A ponte provisória construída sobre a Ribeira de Silvalde na sequência da cheia de 9 de Janeiro será substituída por uma mais sólida, à base de uma «manilha» calculada em cerca de 2.000 contos, garantiu Abel Gonçalves. Trata-se de uma medida excepcional, uma vez que o PDM só previa uma ponte de madeira para trânsito de peões e velocípedes. 
Refira-se, entretanto que o PDM prevê o prolongamento da Rua 2 até à Escola Primária da Marinha, que depois vira à esquerda, antes da Ribeira de Silvalde, em direcção à Avenida S. João de Deus. 

Abel contente 

Nas informações prestadas à Assembleia, Abel Gonçalves congratulou-se com 4 «progressos»: a demolição da parte irrecuperável da Brandão Gomes e eventual arranjo urbanístico; a instalação de 3 retretes amovíveis ao longo da Praia de Silvalde, todas ligadas ao saneamento e à «água da companhia»; a cedência de um «dumper» da Câmara para tapar buracos nas ruas da Freguesia; o início, para breve, da construção do «ringue» desportivo com bancada e balneários, tudo orçado em cerca de 15.000 contos. 
A modernização dos serviços administrativos (informatização da contabilidade, recenseamento e cemitério) está em marcha, tendo-se revelado um osso algo duro de roer. 

Dúvidas 

Grandes interrogações pairam ainda sobre dois projectos. A Escola C+S ainda não tem projecto e não consta que haja dinheiro para o mandar elaborar. Sobre as futuras 48 casas sociais «ainda não se sabe bem» onde serão. Foi ainda feito um apelo para que as pessoas conservassem limpas as sepulturas dos seus familiares sob pena da JF cobrar 1.000$00 pela sua limpeza. 
Finalmente, foi feita uma referência altamente abonatória à obra de António Rocha, da Rua do Calvário. Na sala podiam ver-se alguns exemplares de miniaturas de pescadores, carreolas, canastros, coretos, teares, etc, tudo digno de figurar numa colecção a preservar pela Junta, com preço a negociar.

Octávio Lima
Espinho Vareiro, 1 de julho de 1994